Deixei Washington nesta quarta-feira e já me encontro em Nova York, que nesta época do ano é agradabilíssima. A cidade é sempre cheia de atrativos, mas com a temperatura amena desta entrada de outono se torna muito mais agradável.
Todavia, antes de sair da capital americana participei de uma recepção na Embaixada brasileira, que é comandada pelo embaixador Mauro Vieira que, infelizmente, não se encontrava na capital federal. No entanto, tive oportunidade de conversar com integrantes do corpo diplomático, como o ministro Ernesto Araújo, que por sinal é gaúcho e é o encarregado dos assuntos de ciência, tecnologia, energia e meio-ambiente, com o ministro Alexandre Vidal Porto, encarregado dos temas ligados à imprensa e falei também com o jornalista Paulo Sotero, que mora há 30 anos em Washington, onde foi correspondente de jornais como Estadão e Folha de S. Paulo, mas que hoje presidente o Instituto Brasileiro do Wilson Center.
Da conversa com estas pessoas deu para tirar uma conclusão no que toca ao relacionamento entre Brasil e EUA. Há um entusiasmo com o Brasil no que toca aos negócios. Está clara a percepção para os americanos de que hoje o Brasil é um importante player no cenário internacional e um excelente parceiro para negócios. No entanto, no que toca às questões políticas há uma grande preocupação com posições que o Brasil toma, como, por exemplo, a fraternal relação com o Irã. Ou seja, a política externa está em descompasso com a economia externa.
Obama tenta injetar otimismo no mundo
Nova York esteve trancada nesta quarta-feira. As presenças na sede da ONU do presidente Barack Obama e de mais uma série de outros dirigentes mundiais fizeram com o tráfego da cidade, que já complicado, se tornasse caótico. A partir da 2ª Avenida o trânsito ficou bloquedo durante o dia. E à noite a confusão aumentou quando os dirigentes começaram a se deslocar para os hotéis onde estavam hospedados.
Em seu pronunciamento perante o organismo internacional o presidente Obama procurou mostrar o novo momento do governo americano no que toca ao relacionamento com os outros países. Se na era Bush o mundo sentiu o unilateralismo americano, agora, na era Obama, o objetivo é fazer valer o multilateralismo. Ou seja, a realização de ações sempre em concordância e parceria com outros agentes internacionais. Embora o objetivo fosse o de mostrar o novo momento americano, Obama não fez qualquer crítica ao seu antecessor. Pelo contrário, falou em ações continuadas. “Deixe-me ser claro. Os EUA tem sido, e vai continuar sendo, o líder global em fornecer assistência. Nós não vamos abandonar aqueles que dependem de nós para salvar vidas. Seja comida ou remédios, vamos manter nossas promessas e honrar nossos compromissos”, disse Obama. Ele também afirmou que, “sob sua nova estratégia, os EUA vão ser parceiros de países que estejam passando do autoritarismo para a democracia, e da guerra para a paz”. A meta do milênio, estabelecida pela ONU no ano 2000, tendo por objetivo reduzir a pobreza pela metade até 2015, também foi ressaltada por Obama. Algo, sem dúvida, difícil para ele próprio cumprir, tendo em vista que a crise financeira que se abateu sobre os EUA em 2007 fez aumentar a pobreza no país. Mas, afinal, é preciso levar uma mensagem de otimismo para o mundo. E isto Obama sabe fazer bem.