O candidato republicano à presidência dos EUA, John McCain, vem comprovar que, quase sempre, o discurso de candidato não corresponde à prática. McCain, tem seguido a mesma linha do presidente George Bush de crítica contundente ao Irã. Inclusive o seu programa de segurança nacional é embasado no tema Irã. Pois, apesar disto, fica-se sabendo agora que McCain mantinha, até o início deste mês, dinheiro investido em empresas com atuação no país dos aiatolás. Um dos fundos que contavam com aplicações do candidato republicano tem na Petrobrás o seu carro-chefe.
Não se pode esquecer que a Petrobrás é a nossa grande multinacional, que atua tanto no Golfo do México, junto ao território americano, como no Golfo Pérsico, junto ao território iraquiano. Os investimentos de McCain na empresa constam de relatório de 2006 de bens do senador. A quantia investida varia de 315 mil dólares a 650 mil dólares. Os números foram revelados pelo site OpenSecrets, mantido pelo Center for Responsive Politics, que é uma ONG que mapeia o dinheiro na política americana. Aliás, algo que está fazendo falta por aqui.
Pela lei atual dos EUA, são passíveis de sanções companhias americanas e suas subsidiárias que façam negócios com o Irã. Podem ser impedidas de fazer empréstimos em bancos americanos e assinar contratos com o governo. Em discurso feito no Comitê Israelo-Americano de Assuntos Políticos, principal lobby pró-Israel dos EUA, McCain havia exortado empresas e cidadãos a usar este instrumento, ou seja, deixar de fazer negócios com empresas que têm negócios com o Irã, como maneira de pressionar o governo daquele país a desistir de seu programa nuclear.
Então, uma coisa é o discurso, outra é a prática.