Por trás da disputa que está sendo travada no Irã entre o presidente Mahmoud Ahmadinejad e o opositor Hossein Mousavi, está surgindo uma outra competição, esta entre pesos mais pesados: os aiatolás. Ou seja, entre aqueles que realmente mandam na república islâmica. O que é mais revelador é que o até aqui todo poderoso líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, está a perigo. Ele tem a combatê-lo o aiatolá Akbar Hashemi Rafsanjani, que já foi presidente do país e que também tem se revelado um transformador. Ou seja, mais uma vez temos uma disputa entre um líder conservador e outro reformista.
Já há quem diga que a batalha entre os aiatolás é que deverá decidir o futuro do país, especialmente, no que toca ao pedido da oposição de anulação das eleições de sexta-feira passada, que deram uma contestada vitória ao atual presidente Ahmadinejad. Segundo as informações, Rafsanjani está na cidade sagrada de Qom fazendo consultas. Mais especificamente, tentando medir se tem votos suficientes entre 86 clérigos da Assembleia dos Especialistas para literalmente derrubar Khamenei, algo que esse conselho tem direito a fazer. Ou seja, chegamos ao órgão mais poderoso do país. Se o aiatolá é o líder supremo, estando acima do executivo, do legislativo e do judiciário, esse conselho que tem o poder de depô-lo se constitui no órgão mais poderoso nessa intrincada república islâmica.
Assim, só resta aguardar o desfecho desse jogo político-religioso.