A farsa da eleição na Venezuela foi sacramentada pela presidente do Tribunal Superior de Justiça, Caryslia Rodriguez, ao “certificar de forma inquestionável” a vitória de Nicolás Maduro Muros. Porém, não bastasse isto, estabeleceu a perseguição oficial aos opositores e àquele que, todos os fatos mostram, foi o legítimo ganhador do pleito, o diplomata Edmundo Gonzalez Urrutia. Isto porque ela sentenciou que estariam sujeitos à prisão todos aqueles que contestarem a decisão da Corte. Se levarem ao pé da letra, terão que prender mais da metade da população Venezuela. Pois os números constatados, inclusive pelo Carter Center, o único organismo internacional confiável em acompanhar pleito e que esteve presente na Venezuela, indicaram 64% dos votos para Gonzalez contra 30% de Maduro. E é esta maioria que protesta, por se sentir violentada.
AÇÕES
As ações repressivas já levaram à morte 27 pessoas e para a cadeia mais de 2.200. O X, antigo Twitter, foi bloqueado em suas operações, sob alegação de Maduro de que Elon Musk fez um “pacto satânico” com Maria Corina Machado. O bloqueio à liberdade expressão levou cinco jornalistas para a cadeia. E com o anúncio pelo Supremo da vitória de Maduro, vem mais uma medida cerceadora da oposição. Foi estabelecido que os partidos que não aceitarem o resultado eleitoral serão impedidos de concorrer em eleições para os departamentos ou municípios.
É a estratégia de afastar as possibilidades de vitórias da oposição, conforme tentaram fazer com Maria Corina Machado, que teve seus direitos políticos caçados por 15 anos. Só que, com sua habilidade e prestígio, ela conseguiu, não só fazer emplacar a candidatura de Edmundo González, como leva-lo a uma vitória, que foi surrupiada pelo sistema.
RECONHECIMENTO
O anúncio da vitória de Maduro frustra os planos do presidente Lula e de seu colega colombiano Gustavo Petro, que ainda mantinham a ilusão de uma negociação para sair da crise, quem sabe até com uma nova eleição. Uma possibilidade que já fora descartada pelo presidente mexicano Andrés Manuel Lopez Obrador, o qual percebeu logo que a canoa em que estavam era furada.
Fica agora a indagação sobre a posição de Lula, sabidamente, um dos mais entusiastas defensores do regime de Nicolás Maduro. Tanto que, em maio do ano passado, convidou presidentes sul-americanos a Brasília e tentou lhes apresentar a Venezuela como vítima de uma narrativa. Acabou desmoralizado por seus pares que nem compareceram ao jantar de encerramento do encontro. Agora, a informação de Brasília é de que, por não terem sido apresentadas as atas de votação, o governo brasileiro não reconhece a vitória de Maduro.
Bem, não reconhece a vitória, mas, também não constesta a legitimidade do pleito, algo que salta aos olhos de qualquer observador. Assim, o que se deduz é que Lula vai tentar se manter em cima do muro, como se isto fosse possível diante deste quadro de flagrante violação à democracia e de perseguição a quem contesta.
PERIGO
O problema maior é o perigo que a ditadura de Maduro representa para a região, por suas ligações com China, Rússia e Irã. E mais, pela explítica intenção do regime bolivariano de tomar conta da Guiana. Maduro pode querer se valer das suas ligações com esse grupo para cumprir seu intento quanto à Guiana. Sabe-se que, neste caso, Estados Unidos e Reino Unido, como já demonstraram pouco tempo atrás, sairão em defesa da Guiana. O que poderia gerar uma confrontação de enormes proporções aqui, junto à nossa fronteira. Com o agravante de que para invadir a Guiana por terra as tropas venezuelanas precisam passar por terrório brasileiro.
Então, O problema da Venezuela não é de apenas uma ditadura que se firme e reprime seu povo, mas de uma ameaça para a estabilidade na região. A propósito, com a nova debandada pós eleição, já teria chegado a 8 milhões o número de venezuelanos que deixou o país.