Quando me decidi por visitar a Croácia coloquei como imprescindível no roteiro a ida a Dubrovnik, embora sabendo que a cidade localiza-se no extremo sul do país. A convicção baseava-se nas informações de que se tratava de uma cidade que conservava construções da época medieval, dotada de belas praias e que fora palco da guerra entre croatas e sérvios, entre 1991 e 1992. Pois a estada na cidade me deu a certeza absoluta do acerto da decisão, porque a cidade é realmente diferenciada. É de uma beleza incrível, que pode ser observada já na chegada, em plena estrada que circunda o alto das montanhas ao pé das quais se debruça a cidade. Do alto pode-se ver a fortaleza medieval que envolve a cidade antiga, as construções padronizadas que se espalham por terra e por ilhas e as múltiplas marinas, pontilhadas de barcos dos mais diversos tamanhos. Um cenário maravilhoso. Beleza, história e cultura estão ali reunidos. Fica-se, no entanto, estupefato ao saber que este tesouro da humanidade foi, há pouco tempo, alvo de intenso bombardeio, cujas marcas estão presentes ainda em muitos prédios e, especialmente, no sentimento das pessoas. Os croatas, de um modo geral, não gostam de falar sobre a guerra. O que é compreensível, pois traz à tona algo que é histórico na região e que tem sido causa de disputas: o ódio que croatas e sérvios nutrem uns pelos outros. Aliás, no livro “Dubrovnik em guerra”, o historiador Bozidar Violic diz que os sérvios atacaram Dubrovnik porque sabiam que com isto “estavam atacando a alma da Croácia”.
A saída de Dubrovnik é contemplada com a extraordinária vista da cidade que se tem ao longo da estrada que vai serpenteando as montanhas à beira mar. À medida em que se vai afastando vai-se sedimentando a convicção de que se esteve num lugar inesquecível. No entanto, as bem cuidadas e bem sinalizadas estradas croatas nos levam a outros belos lugares, pois o litoral é pontilhado de ilhas e de pequenas cidades com lindas praias. Isto se dá ao longo dos mais de 200 quilômetros que levam até Split, cidade que é chave na ligação marítima na Croácia com a Itália e boa parte da Europa Ocidental. Por toda a costa pontificam hotéis, resorts, restaurantes e casas de veraneio, que espelham o investimento que o país está fazendo no turismo. Investimento este que passa também pela construção de modernas e amplas rodovias, que ligarão o país de norte a sul. Dois terços do trajeto já estão concluídos. E o que é fundamental: o país tem recursos humanos preparados para dar impulso ao fator turismo, um dos pilares da sua economia. Os croatas são educadíssimos, atenciosos e cordiais. Em qualquer lugar fala-se o idioma universal que é o inglês.