A questão do reconhecimento pela Rússia da independência da Ossétia do Sul e da Abkhásia está diretamente relacionado ao que houve com a ex-província sérvia de Kosovo. Contrariando a vontade da Sérvia e da Rússia, EUA e União Européia aprovaram a independência daquela província rebelde. Algo, aliás, que não teve votação unânime entre os europeus, tendo em vista que países como Espanha, Bélgica, Grécia e Chipre, que têm movimentos separatistas internos, não aprovaram a decisão.
Agora, a Rússia dá o troco. Aprova a independência de duas províncias rebeldes da Geórgia, país que, ao tempo da União Soviética, orbitava em torno de Moscou, mas que nos últimos tempos, como a maior parte das nações do Leste europeu, se bandeou para o lado da União Européia. Agora, EUA e Europa condenam a decisão russa.
Estamos diante de um grande impasse. Talvez o maior surgido desde o período pós-Guerra Fria. E há um componente que pode agravar ainda mais a situação. Se, de repente, o Ocidente resolver apoiar a independência da província rebelde russa da Tchechênia, que há muito luta por sua sepraração. Como se vê, um caso pode puxar o outro. E, se não houver bom senso, pode-se chegar a um indesejável confronto.