(Artigo publicado na edição de domingo, 17, do Correio do Povo)
Chego aos Estados Unidos para observar o processo eleitoral e os efeitos da crise econômica. Dois temas que estão profundamente ligados. Dentre as constatações, da para se fazer algumas deduções. Como, por exemplo, o fato de Barak Obama ter assumido a liderança na campanha eleitoral com vistas à indicação do candidato democrata à presidência dos EUA tem algumas razões específicas. A primeira delas, evidentemente, é o carismo do candidato. Mas, junto disto, vem o seu posicionamento político. Especialmente, o fato de ter sido contra a guerra no Iraque, desde o primeiro momento em que o presidente Bush começou a cogitar a ação.
O reflexo disto pode ser observado agora. No mesmo dia em que o presidente Bush anunciava o seu projeto de recuperação econômica dos EUA, Obama despontava à frente de Hilary Clinton na preferência dos democratas. A necessidade de um plano de recuperação econômica dos EUA se dá, em grande parte, pelos extraordinários gastos com a guerra no Iraque. Só para continuar sustentando as tropas no Iraque, Bush teve que colocar no orçamento deste ano 235 bilhões de dólares. Com isto, entre outras coisas, teve que diminuir a verba para o Madcare, o seguro saúde para os idosos.
Barack Obama soube aproveitar bem essa situação. Em seus pronunciamentos, enfatizou que a crise americana se dá por causa guerra deflagrada por Bush e apoiada por Hilary. O que é verdade. Ela não só sempre apoiou a guerra, como disse que, se eleita, continuará com as tropas no Iraque. Assim, resultado da guerra está se refletindo nas urnas.
De outra parte, no momento em que está praticamente definida a indicação de John McCain como candidato dos republicanos, o partido governista aposta no programa de estímulo à economia lançado por Bush. Com o presígio do presidente Bush em apenas 30% de aprovação e com o país entrando num processo de recessão, a esperança é de que o pacote de incentivos fiscais anunciado pelo presidente venha a dar resultados.
O pacote de 170 bilhões de dólares tem o objetivo de sacudir a economia para que esta se recupere no segundo semestre. O plano sinaliza uma aposta do presidente de que os consumidores gastarão logo pelo menos 40% da restituição de impostos que receberão em maio. Essa restituição varia de 300 a 1.200 dólares. E se de fato o percentual for atingido, isto se refletirá em três pontos percentuais no PIB do terceiro trimestre. Isto tudo se os sintomas da crise não se agravarem. Porque se isto acontecer, os contribuintes não irão gastar esse dinheiro, mas poupá-lo ou utilizá-lo para pagar dívidas.
Há que se considerar que tudo isto aí está sendo projetado para ter os seus reflexos, na melhor das hipóteses, no terceiro trimestre, ou seja, quando a campanha eleitoral estiver no auge. O que significa que McCain não poderá contar com o aspecto recuperação econômica para alicerçar sua campanha. Ou, melhor dizendo, não poderá contar com ações do governo Bush para ganhar a eleição.