A primeira cúpula energética regional da América do Sul, que se realiza na Venezuela é um perfeito reflexo do que por aqui ocorre. Ou seja, muita discussão e muita discordância. A começar pelos dois grandes planos de integração energética em discussão: o chamado Grande Gasoduto do Sul e o programa do etanol.
Através de seu mirabolante gasoduto, Chávez quer rasgar a floresta amazônica, fazendo a ligação do Orinoco à Patagônia. O objetivo, levar gás para toda a região. Daí acontece como o ocorrido por aqui. A Petrobrás construiu um gasoduto para trazer o gás da Bolívia para os estados do sul do Brasil. Os empresários foram incentivados a trocar seus sistemas de geração energia pelo gás barato da Bolívia. De repente, Evo Morales fechou a torneiro e subiu o preço do produto. O mesmo pode acontecer com relação à Venezuela.
Mais racional parece ser o projeto do Brasil de incentivar a produção de etanol através da cana de açúcar. Fidel Castro e Hugo Chávez são contra o programa. O presidente venezuelano, porque está sentindo a concorrência que vai representar para o seu petróleo. Os EUA, que hoje compram 24% do que a Venezuela produz, poderão reduzir suas compras e Chávez terá que buscar outros mercados. Já Fidel Castro, contesta por razões ideológicas. Não se dá conta de que seu país é produtor de cana e, se conseguir uma parceria para obter a tecnologia brasileira, poderá se tornar um grande exportador, acabando com a dependência que tem hoje do petróleo de Chávez.
E meio a essas divergências, é difícil um consenso regional.