O presidente George Bush não só afundou as tropas dos EUA no Iraque, como também está afundando as finanças do país. A guerra do Iraque, associada à do Afeganistão, representa hoje um custo para o país da ordem de 10 bilhões de dólares por mês. Mesmo diante desse quadro, Bush foi ao Congresso nesta segunda-feira pedir mais dinheiro.
A proposta do orçamento para exercício fiscal de 2008 é da bagatela de dois trilhões e nove bilhões de dólares. Do total, 625 bilhões de dólares são destinados aos gastos militares. Especialmente Iraque e Afeganistão, que, juntos, consomem 235 bilhões. Os EUA trabalham hoje com uma inflação em torno de 3% ao ano, mas os gastos militares de Bush, desde 2001 já tiveram um acréscimo de 62%. O detalhe é que o orçamento de Bush busca mais dinheiro do cidadão, aumenta os gastos militares e poda 80 bilhões de dólares para os próximos cinco anos, vejam bem, da área social. Não foi sem razão que o presidente da Comissão de Orçamento do Senado, Kent Conrad, disse que o orçamento de Bush era “uma peça assombrosa”.
O presidente Bush deixa de lado a questão, que já não é lá o seu forte, e tenta arrancar mais dinheiro do Congresso para fins de uso militar. Subentende-se aí o Iraque, onde o país está afundado e para onde deve enviar mais 21 mil soldados. Para Bush, o envio dos soldados é para sair do atoleiro. Para a oposição e para grupos pacifistas, o envio será atolar ainda mais o país naquela nação que está dividida e em guerra civil. Pois o termo guerra civil vinha sendo rejeitado pelos norte-americanos, mas agora o próprio Conselho Nacional de Inteligência já admite esse fato. Estudo da entidade a apresentado ao presidente, diz que a violência sectária, entre xiitas, sunitas e curdos, provoca mais mortes do que o terrorismo da Al Qaeda. O que não é novidade, diga-se de passagem. A Al Qaeda, estudos já comprovaram, não estava presente no Iraque antes da guerra. Chegou com a guerra.
Mesmo afundado no Iraque, Bush tem o Irã na alça da mira. Mas, para isto,está perdendo o apoio até de seu mais fiel seguidor, a Grã-Bretanha. O governo inglês encomendou uma pesquisa, a qual revelou que um ataque ao Irã no atual momento teria conseqüências desastrosas. E isto que esta pesquisa foi realizada um pouco antes do início da nova onda que está apavorando os britânicos: a das cartas-bombas. Abrir uma carta se tornou atividade de risco no país.
Além da onda de cartas-bombas que está atingindo a Grã-Bretanha, outro aliado dos EUA está enfrentando uma série de atentados: o Paquistão. Justo o país que foi o suporte para a ação norte-americana no Afeganistão. Diversos ataques suicidas foram perpetrados nos últimos dias, tendo sido atingido, inclusive, o aeroporto de Islamabad.
Os atos têm sido praticados pelos milicianos talibãs, que foram deslocados do poder no Afeganistão pela ação das forças de coalizão, lideradas pelos EUA. Tendo perdido a força em seu país, eles se reestruturam e passaram a atuar no Paquistão, com vistas de desestabilizar o governo de Pervez Musharraf. Há que considerar também que no próprio Afeganistão os talibãs estão se reestruturando. Área significativa da montanhosa parte sul do país está sob o controle deles. E esta retomada de ação por parte do Talibã se dá porque os EUA, ao invés de concluírem o trabalhado no Afeganistão, resolveram atacar o Iraque. Agora estão atolados no Iraque e vendo a ameaça de o Talibã não só retomar o poder no Afeganistão, como também desestruturar o Paquistão.