A entrega simbólica, ontem, para as Mães da Praça de Mayo do prédio da Escola da Armada da Marinha e a transformação do mesmo em um centro cultural tem um significado extraordinário para a Argentina. O fato remonta a um dos períodos mais negros da história do país. Ou seja, ao período da ditadura militar, que dirigiu com mão de ferro a nação, de 1976 a 1983, sendo responsável pela morte ou desaparecimento de cerca de 30 mil pessoas.
A Escola da Armada da Marinha foi o grande centro de tortura da ditadura militar. Ali, algumas figuras se destacaram na arte da tortura, como o capitão Astiz, que ficou conhecido com o “Anjo da Morte”. A escola se tornou tristemente famosa, não pelo que ensinava, mas pelo que praticava em termos de repressão.
As chamadas Mães da Praça de Mayo, sob a liderança de Hebe de Bonafini, se constituiram num dos maiores fatores de contestação à ditadura. O grupo reunia mães de presos ou desaparecidos e se concentrava todas às quintas-feiras na Praça de Mayo, defronte à sede do governo. Com lenço na cabeça, as mães ficavam circulando pela praça, portando cartazes com fotos de seus filhos. Conseguiram constituir o grupo de resistência mais forte, porque era constrangedor para a ditadura agir contra um grupo de mães.
Muitas delas perderam seus filhos e outras até hoje não tem uma informação concreta sobre eles. Mas o movimento se constiuiu num marco de resistência. E sua história vai ficar registrada nesse centro cultural que acaba de ser inaugurado.