As Farc – a guerrilha que há 48 anos perturba a vida dos colombianos, emitiram um comunicado neste domingo, anunciando a libertação dos dez reféns políticos que ainda detém e a suspensão dos sequestros de civis. Suspensão, mas não a libertação do enorme contingente de civis que a organização narco-guerrilheira sequestrou com o fim de extorsão de dinheiro e que ainda mantém consigo. No entanto, ao fazer o anúncio e abreviar a libertação do que, segundo consta, são os últimos chamados “prisioneiros políticos” que têm em seu poder, a organização está demonstrando uma desmobilização. Muito embora diga que “o fortalecimento militar das Farc de hoje acontece nas barbas daqueles que proclamaram o fim do fim e os incita a proclamar a necessidade de aumentar o terror e a violência”. Ou seja, tenta demonstrar que ainda está forte e admite que atua com base no terror e na violência. Mas deixa escapar também que a organização está louca para buscar um acordo com o governo colombiano, ao dizer que “De nossa parte, consideramos que não cabe adiar por mais tempo a possibilidade de iniciar conversações”. Só que, o governo de Juan Manuel Santos não quer saber de conversa com a guerrilha. Ele já presenciou os mal sucedidos exemplos de seus antecessores no cargo, que acreditaram na possibilidade de diálogo com o narco-terror e se deram mal. Santos vem tratando a guerrilha com mão de ferro. E esta está sentindo. Tanto que disse o seguinte em seu comunicado: “Obstáculos sérios se interpõem à concretização de uma paz pactuada em nosso país. A arrogante decisão governamental de aumentar os gastos, o contingente e as operações militares aponta para o prolongamento da guerra por tempo indefinido”. Pois, pelo que parece, esta guerra está perto do fim.