Durante muito tempo o governo Lula insitiu na tese de que o Brasil deveria ter um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU. Nos últimos tempos, o assunto havia caído um pouco no esquecimento. Pois agora duas personalidades do cenário internacional o resgatam. Primeiro, foi o presidente francês Nicolas Sarkozy. Logo que desembarcou no Rio, fez um pronunciamento, manifestando a posição de seu país de apoio ao ingresso do Brasil no seleto grupo da ONU. Logo em seguida, foi a secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice a pronunciar-se a favor da mesma tese. Ela aproveitou para ressaltar que antes não havia muita aproximação entre Brasil e EUA, mas esta acabou se dando, como ela ressaltou, com o governo Bush e um presidente de esquerda no Brasil.
Aliás, abro um parênteses para ressaltar a habilidade do presidente Lula para circular no cenário internacional. Ele tem conseguido a façanha de manter boas relações com líderes tão opostos como George Bush e Hugo Chávez. A propósito, a revista Newsweek desta semana está divulgando que Lula foi eleito a 18ª pessoa mais influente no mundo.
Voltando à questão do Conselho de Segurança, é preciso ressaltar que, mesmo que o Brasil venha a ter uma cadeira permanente no organismo, dificilmente, gozará do privilégio que têm quem o apoia, França e EUA, além de Inglaterra, Rússia e China, que é o poder de veto. Ou seja, mesmo que conquiste uma cadeira permanente no Conselho, o Brasil não irá fazer parte do grupo privilegiado.
LULA E BUSH
Algumas coisas inesperadas aconteceram nos últimos anos nas relações internacionais. Uma delas, a cordialidade e o bom trânsito estabelecidos entre os presidentes Lula e Bush. Algo que surpreendeu por suas diferenças ideológicas. Pois, justamente estes dois presidentes seguiram trilhas inversas às expectativas de quando foram eleitos.
Bush defrontou-se com o 11 de setembro, mas foi visto pelos americanos como o agente que iria eliminar o terror. Fez tudo errado. Deixou seus soldados afundados no Iraque e permitiu que o terror, que deveria ser eliminado no Afeganistão onde estava, se espalhasse por todo o Oriente Médio. Paralelamente a isto, Bush legou para os americanos uma crise financeira tão grave quanto à da grande depressão de 1929. Ele recebeu o país com um superávit de 700 bilhões de dólares e o entregará, conforme está se anunciando, com um déficit de mais de 1 trilhão de dólares.
Enquanto isto, Lula ganhou a confiança dos brasileiros e o do cenário internacional. A ponto de estar sendo apontado pela revista Newsweek como a 18ª pessoa mais influente do mundo. Conforme ressaltou a revista, Lula hoje governa um país com mais de 200 bilhões de dólares em reservas internacionais e com o menor índice de inflação entre os países emergentes.
Quem diria.
OBAMA E OS EMPREGOS
Quando estava em plena campanha eleitoral para a presidência dos EUA, Barack Obama prometeu criar um milhão de empregos. Um mês atrás, quando a crise demonstrava a sua força no país, a promessa de Obama passou para 2 e meio milhões de empregos. Ontem, ao anunciar a sua força tarefa para salvar empregos, ele subiu para 3 milhões o número de empregos a serem gerados, graças a um plano que pretende injetar 850 bilhões de dólares na economia americana, num prazo de dois anos.
O programa pretende ser um contraponto aos resultados da crise, que, segundo os especialistas americanos, deve gerar a perda de 3,5 milhões de empregos em 2009. Se não houvesse a ação de Obama, a taxa de desemprego, que hoje é de 6,7%, subiria para 9%. O programa batizado de “Força-Tarefa da Casa Branca para as Famílias de Trabalhadores”, terá a coordenação do vice-presidente eleito Joe Biden, que já está sendo chamado de “o czar da classe média”. Porém, um das medidas que ele colocará em prática será destinada aos mutuários inadimplentes. Aqueles que perderam a sua, por não conseguir pagar os empréstimos, terão atenção especial.
Como Obama já foi eleito, espera-se que tudo isto seja mesmo colocado em prática. Pois não há mais necessidade das famosas “promessas de campanha”, que nunca são cumpridas.