Um dia depois de o presidente Barack Obama ter acusado formalmente a rede Al Qaeda pelo fracassado atentado ao avião Northwest, que fazia o voo Amsterdam Detroit, os EUA e a Grã-Bretanha decidiram fechar suas respectivas embaixadas no Iêmen, país que estaria dando suporte à rede terrorista. Aliás, a rede fez claras ameaças de atacar aquelas representações diplomáticas.
A pergunta que logicamente se faz é se, em vista desta situação, caberia aos EUA atacar o Iêmen? Na atual situação, nem pensar! Já há envolvimento demais no Iraque e no Afeganistão, e sem solução à vista. Na realidade, o que os EUA estão procurando fazer é ajudar o frágil governo do Iêmen. Um governo que enfrenta rebeliões em várias frentes.
O Iêmen é um país que foi unificado em 1990. Era dividido entre o norte, que era um resquício do Império Otamano, e o sul, que era dominado pelos comunistas desde a retirada britânica em 1967. A unificação se deu em uma guerra civil em que o sul saiu perdedor. Hoje, no entanto, o governo enfrenta, no norte, uma rebelião dos Houthi, um clã xiita apoiado por uma redede lideranças tribais, que acusam o governo de desprezar o desenvolvimento de sua área em favor dos sunitas. Os xiitas contam com apoio do Irã e os sunitas da Arábia Saudita. A mesma disputa entre estes dois ramos do islamismo se dá no sul, embora com algumas caractertísticas diferenciadas. Nesses áreas menos controlados pelo governo, a Al Qaeda encontrou terreno fértil para se estabelecer. Ainda mais que o governo iemenita é acusado pela conservadora população local de cumprir uma suposta agenda anti-islã por ordem do Ocidente.
Como se observa é mais um terreno minado pelo radicalismo islâmico.
PREOCUPAÇÕES
Os Estados Unidos, assim como o mundo ocidental, entram 2010 com extrema preocupação com relação ao terrorismo. O ano de 2009 só não fechou com um grande atentado por uma questão de sorte. O vôo da empresa americana Northwest, que fazia a rota Amsterdam Detroit, com 290 pessoas a bordo, só não explodiu porque falharam os dispositivos conduzidos pelo nigeriano Umar Farouk Abdul mutallab. Foi uma falha gritante dos sistemas de segurança americanos, por dois motivos. Um deles, o fato de o pai do terrorista ter avisado a CIA sobre as intenções de seu filho. Outro, pelo fato de Abdulmutallab ser fichado como integrante da Al Qaeda e, mesmo assim, ter passado nas revistas de aeroportos.
Nesta quinta-feira, o presidente Obama falou com o seu conselheiro de segurança nacional e antiterrorismo John Brennan para receber uma atualização sobre a avaliação preliminar das circunstâncias que permitiram a Abdulmutallab entrar em um avião rumo aos EUA com explosivos no corpo. O presidente ordenou as avaliações após criticar o que classificou de falha sistêmica que permitiram o ataque frustrado. No entanto, apesar da indignação do presidente, as perspectivas não são boas. O diretor da Inteligência dos Estados Unidos (DNI), Dennis Blair, advertiu nesta quinta-feira, de que os próximos atentados terroristas serão cada vez mais imprevisíveis e difíceis de se evitar, já que a rede terrorista Al Qaeda amplia seu conhecimento sobre os sistemas americanos de defesa. Ou seja, decretou a incompetência dos serviços de inteligência e a submissão ao terror.
REAÇÃO
Finalmente uma voz com tom incisivo no alto comando americano. O general David Petraus, que é o chefe do Estado Maior do Exército dos EUA, disse nesta sexta-feira que a rede Al Qaeda está sendo derrotada no Iraque e na Península Arábica, o que inclui o Iêmen, embora continue ativa em setores destas regiões. Petraus voltou a afirmar a vitória dos EUA no Iraque, apesar de ainda acontecerem alguns ataques esporádicos dos terroristas, como o realizado quarta-feira a um prédio do governo da Província desértica de Anbar, que matou pelo menos 24 pessoas e feriu o governador Qassim Mohammed. Conforme Petraus, os EUA estão dispostos a dar a “assistência que for necessária” para ajudar o país a combater o terrorismo. Disse que as operações terroristas na Península Arábica caíram drasticamente depois de uma série de duas ações realizadas recentemente.
As declarações de Petraus se contrapõem às do diretor da Inteligência dos Estados Unidos (DNI), Dennis Blair, o qual advertiu nesta quinta-feira, de que os próximos atentados terroristas serão cada vez mais imprevisíveis e difíceis de se evitar. Embora se saiba das dificuldades para conter o terror, a maior potência do mundo não pode se mostrar vulnerável. Daí a importância de posições firmes, como a do chefe do Estado Maior do Exército.