O presidente Donald Trump prometera acabar com a guerra na Ucrânia no dia imediato ao seu retorno à Casa Branca. Passados vinte dias de sua posse ele apresentou seu projeto, o qual significava claramente uma capitulação da Ucrânia frente à Rússia. Depois de conversar por uma hora e meia com o presidente russo Vladimir Putin, Trump anunciou o seu projeto, que consistia na entrega pela Ucrânia à Rússia de todas as áreas do leste do seu território já tomadas pelos russos. E, ao mesmo tempo, assegurava que a Ucrânia não iria fazer parte da Otan.
Ou seja, derrubava justamente os dois principais objetivos traçados pelo presidente ucraniano Volodimir Zelensky logo depois de ver seu país invadido pelas forças de Putin. Ou seja, Zelensky queria recuperar os territórios perdidos e passar a fazer parte de uma aliança militar que desse proteção para o seu país.
SONHO
Trump chegou a mencionar inclusive a possibilidade de a Ucrânia se tornar território russo. Com isto, nada mais estava fazendo do que sepultar o sonho da maior parte da população ucraniana de sair do jugo de Moscou e passar a fazer parte da União Europeia. Seguindo o exemplo de vizinhos como Polônia, Romênia, Bulgária, Tchéquia, Eslováquia, Hungria e outros que viveram quase cinquenta anos sob o domínio da Rússia e hoje vão muito bem sob regimes democráticos.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, disse que a tentativa de recuperar as fronteiras da Ucrânia para o que eram antes de 2014, antes de a Rússia invadir a Crimeia e o leste do país, “é um objetivo irrealista”. Assim, tudo sendo decidido em Washington e a favor da Rússia.
CONTRA
A Ucrânia, parte principal na negociação, por ter sido invadida e estar perdendo territórios, nem foi considerada. Assim como também não o foi a Europa, que está diretamente envolvida com a guerra, dando suporte financeiro e bélico para a Ucrânia. As manifestações de líderes europeus têm sido de contestação à proposta de Trump. O chanceler alemão Olaf Scholz foi claro ao dizer que os EUA não podem ficar de fora do processo de negociação, mas, que o fundamental é ouvir a Ucrânia.
A chefe da diplomacia europeia, a estoniana Kaja Kallas, uma crítica contundente da Rússia, disse que “se a Ucrânia decidir resistir, estaremos do seu lado”. Ela sabe bem o que é a opressão de Moscou. Seu país, Estônia, junto com seus vizinhos Letônia e Lituânia, esteve sob o domínio da Rússia soviética até 1991. Quando se independizaram, a primeira medida que tomaram foi passar a fazer parte da Otan para terem proteção militar.
ARMAMENTO
Desde o final da Segunda Guerra, com a criação da Otan, a Europa passou a confiar nos EUA, maior potência do planeta, para sua defesa. Só que nos últimos tempos esta confiança foi diminuindo e se acelerou sob Donald Trump. Já no seu primeiro mandato Trump estava cobrando dos europeus que muitos deles não estavam contribuindo com a Otan com verba de 2% de seu PIB, conforme reza o estatuto da organização.
Ultimamente, os europeus estão tratando de se armar e os dois maiores exemplos são a Polônia e a Alemanha. Os poloneses decidiram aplicar 5% de seu PIB em armamentos. Pela proximidade, eles sentem que podem ser o próximo alvo de Putin. E eles, que hoje vivem em liberdade, não esquecem que viveram cinco anos sob domínio do nazismo e mais cinquenta sob o tacão do comunismo. Já a Alemanha, reticente em se armar após o período do nazismo, hoje tem o que se anuncia como o mais poderoso exército da Europa.
IMPASSE
Assim, o que se percebe é que a proposta de Trump não levou a nada. A não ser a aproximação dele com Putin, pelo qual demonstrou grande amizade. Cogitando, inclusive, de trazer a Rússia de volta ao G-7, o grupo dos países mais industrializados do mundo. Este grupo chegou a ser G-8 com a participação da Rússia, porém, o país foi expulso após a invasão da Ucrânia.
O detalhe é que esta aproximação não está colaborando em nada para uma solução do conflito. Por enquanto só está servindo para Trump agradar a Putin, acenar com uma capitulação e submissão da Ucrânia e para colocar a Europa contra ele, o que, por extensão, é contra os Estados Unidos.