O Afeganistão segue sendo o símbolo da intolerância. Agora, por exemplo, o país está há dois dias envolto em protestos contra a queima do Al Corão, o livro sagrado dos muçulmanos. O fato teria sido protagonizado por soldados dos Estados Unidos que, ao promoverem uma limpeza em uma guarnição, com a queima dos papéis considerados descartáveis, teriam queimado junto um ou mais exemplares do Al Corão. Ao tomar conhecimento, a turba saiu às ruas de diversas cidades do país, fazendo, como de costume, seus protestos aos berros e com ataques a instituições norte-americanas e do governo afegão. Resultado: pelo menos quatro mortos e dezenas de feridos, decorrência dos enfrentamentos com soldados da Otan ou do próprio exército afegão.
O fato vem demonstrar que não tem como os EUA conquistarem os corações e mentes afegãos. Aquilo lá é um outro mundo. Um mundo de fanáticos religiosos. E o grande problema agora é como sair de lá, sem deixar que o governo volte a cair nas mãos dos radicais do Talibã. Aliás, cada vez mais se configura que não haverá outra saída que não seja a de compor uma aliança para governar com o apoio do Talibã. Só que, para isto, será preciso cumprir, com rigor, os preceitos do islã.