Embora a sua determinação em permanecer e no poder e mesmo contando com um substancial apoio interno, o governo golpista de Honduras, liderado por Roberto Micheletti, está se sentindo encurralado. Decorridas três semanas do golpe, nenhum país reconheceu o governo que se estabeleceu em Tegucigalpa. E a situação começou a piorar para os golpistas por três fatores. Um deles: o presidente deposto Manuel Zelaya aceitou a proposta de acordo feita pelo mediador Óscar Arias, presidente da Costa Rica, para o seu retorno ao posto, com a formação de um governo de coalizão com os atuais ocupantes do cargo. Proposta que foi rejeitada por Micheletti. Outro fator: os EUA resolver pressionar os golpistas. A secretária de Estado Hilary Clinton telefonou para Micheletti e o embaixador americano se reuniu com empresários hondurenhos. Ambos detalharam as retaliações que podem ser feitas. E o terceiro aspecto, a guerra civil que irá ocorrer caso não haja acordo. Zelaya disse que a guerra civil já começou. E se esta acontecer, vai ter a interferência da Venezuela, cujo presidente Hugo Chávez está dando apoio irrestrito a Zelaya. E com o agravante de que o governo golpista expulsou os diplomatas venezuelanos do país, os quais se recusam a sair, por não aceitarem ordem de um governo que não é reconhecido internacionalmente.
Como se vê, fecha-se um cerco ao governo de Micheletti.