O Tribunal Internacional de Haia emitiu o seu veredito sobre a “guerra das papeleiras” travada entre Uruguai e Argentina, desde 2004, quando o governo uruguaio autorizou a instalação de uma fábrica de celulose e de papel da Botnia, hoje UPM, às margens do rio Uruguai, junto à cidade de Fray Bentos. O conflito começou com as manifestações dos argentinos do outro lado do rio, na cidade de Gualeguaychú. O tribunal decidiu que o Uruguai errou ao tomar a decisão unilateral de instalação da planta, pois com isto violou o tratado assinado entre os dois países, em 1975, o qual estabelecia consultas recíprocas sobre qualquer projeto no rio Uruguai. Fato que não foi considerado suficiente para mandar parar a fábrica, como queriam os argentinos, tendo em vista que a mesma não está poluíndo. Decidiu que a fábrica segue funcionando, porém, com suas ações sendo monitoradas pelos dois países, de acordo pelo estabelecido pelo tratado de 1975.
A decisão deixou satisfeito o governo argentino, segundo a sua representante Suzana Ruiz Cerutti. Mas os argentinos concentrados em Gualeguaychú ficaram frustrados. Queriam o fechamento da fábrica. Doce ilusão. A planta foi um investimento de 1,6 bilhão de dólares, o maior da história do Uruguai. Nesses pouco mais de dois anos de funcionamento, proporcionou um crescimento do PIB uruguaio de 11% ao ano. Então, o negócio é promover um encontro dos presidentes dos dois países para selarem um término à disputa.
E a propósito de crescimento uruguaio, o presidente do Uruguai, José Mujica, inaugura nesta quarta-feira, dia 21 de abril, uma linha de montagem dos automóveis da Lifan, localizada em San José, Região Metropolitana de Montevidéu. A planta consumiu investimentos de 6,5 milhões de dólares e tem capacidade para produzir 5.000 veículos por ano nesta primeira etapa. Desse volume, 85% será exportado para o mercado brasileiro, a partir de maio deste ano, e 15% ficará no mercado interno uruguaio. A Lifan, uma das maiores companhias privadas da China, será representada oficialmente e com exclusividade no Brasil pela empresa Ever Eletric, mesmo grupo responsável pela Effa Motors. A Ever Eletric é sócia da planta instalada no Uruguai. Inicialmente serão vendidos no País o hatch 320 e o sedã 620.