As panelas voltaram a bater segunda-feira à noite pelas ruas de Buenos Aires e das principais cidades argentinas. Era o protesto da população pela falta de diálogo do governo com o setor rural, que voltou a bloquear as rodovias do país, justamente, pela falta de diálogo do governo. Pois, desta vez, o panelaço ecoou na Casa Rosada. Cristina Kirchner desceu de sua soberba e aceitou a negociação, pelo menos, no âmbito do Congresso.
O conflito começou no dia 11 de março, quando o governo anunciou aumento de impostos sobre exportações de grãos para garantir o abastecimento o preço do produto no mercado interno e para ficar com o lucro do setor. Como reação, os ruralistas já realizaram quatro locautes, impedindo a passagem por rodovias de alimentos e de combustíveis. Fato que está provocando um desabastecimento no país. A decorrência natural disto é o aumento de preços e a alta na inflação.
A mais recente paralização foi iniciada no domingo, como reação à prisão de 19 produtores rurais, entre eles Alfredo de Angelis, que é presidente da Federação Rural. O movimento paredista ganhou a adesão dos caminhoneiros que transportam grãos, pois eles estão há muito sem trabalho.
Diante disto tudo, não é de surpreender que o prestígio de Cristina Kirchner tenha despencado. A popularidade da presidente, que era de 56%,despencou para 26%.
A situação tenderia a se agravar hoje, por estarem marcados dois grandes atos rivais. O setor rural promovendo um dia de protesto em todo o país, enquanto que a base do governo convocara uma manifestação para a Praça de Mayo, defronte a Casa Rosada. Criava-se uma situação tensa para hoje. Mas, finalmente, Cristina se dispôs, pelo menos a dialogar. Resta ver se irá atender o campo.