França vai às urnas neste domingo para escolher em primeiro turno quem irá suceder Jacques Chirac na presidência da república. Se houver segundo turno, o que é muito provável, acontecerá a 06 de maio. Doze candidatos concorrem ao cargo, no entanto, a disputa propriamente dita se dá entre dois: a esquerdista Ségolène Royal e o direitista Nicolas Sarkosy, ex-ministro do Interior de Chirac.
Há também o extremista de direita Jean Marie Lê Pen, que faz mais barulho do que votos. Tem um contingente de eleitores fiéis, que apóiam suas teses racistas e de expulsão dos imigrantes, mas é um número limitado. Um número, no entanto, que poderia ser suficiente para dar uma vitória a Sarkosy no primeiro turno, se houvesse uma aliança entre os dois. Se houvesse, porque o radical de direita não desperdiça a oportunidade que um turno eleitoral lhe dá para aparecer na mídia e derramar suas teses radicais.
Lê Pen não só não quis aliança como ainda tenta minar a candidatura de Sarkosy, dizendo que ele não é francês. Na realidade, ele é filho de imigrantes húngaros, judeus convertidos. Mas nascido na França. Lê Pen se afuna em dizer que as raízes francesas de sua família remontam ao século 17. E consegue atingir um dos pilares da campanha de Sarkosy, que construiu um discurso em torno da defesa dos valores republicanos, da importância da tradição da cultura cristã e da valorização da identidade francesa. Um discurso que procura captar todo um universo que vai do centro até a extrema direita.
Do outro lado está Ségolène Royal, que transita entre o mundo intelectual e aquelas massas que se sentiram agredidas pelas ações de Sarkosy como ministro do Interior. E a imagem traçada pela imprensa do ex-ministro do Interior não é nada simpática
A semelhança do que ocorre por aqui em processos eleitorais, a maior parte dos eleitores franceses ainda não sabe em quem irá votar. Segundo pesquisa do jornal “Le Parisien”, ainda há mais de 30% de indecisos. Cerca de 30% estão dispostos a votar no candidato da direita, Nicolas Sarkosy, enquanto que 22% disseram que darão seu voto para a socialista Ségolène Royal. Outra alternativa, antes de Lê Pen que está em quarto lugar, é o centrista, discípulo do ex-presidente Giscard D´Estaing, François Bayrou, que tem entre 17 a 18% da preferência.
Estamos, portanto, diante de uma indefinição, em um país em que, até certo tempo atrás, tudo era muito definido. Este grande número de eleitores que pode flutuar da esquerda para a direita e vice-versa, se dá em função da nova situação pela qual passa não só a França, mas toda a Europa. Com o fim da União Soviética, em 1991, acabaram-se as ideologias. Ruiu o muro de Berlim e com ele as utopias.
Hoje, a França faz parte de uma Europa unificada. E assim, mais do que responder a preceitos ideológicos que algumas minorias ainda insistem em preservar, o governante tem que atender a vontade global. Depois que o euro se tornou moeda única e de que as pessoas puderam cruzar livremente de um país para o outro, para passear, estudar ou até mesmo para trabalhar, a realidade passou a ser outra. E quem for eleito sabe disto. Daí a falta de preocupação do eleitorado.
Em termos de política externa a França se destacou pela posição de antagonismo à decisão do presidente Bush de invadir o Iraque. Hoje, a política externa está praticamente fora da campanha eleitoral. Mas Sarkosy, antes da eleição, resolveu fazer um agrado a Bush.
Enfim, os franceses vão votar neste domingo, mas não há entusiasmo por nenhum dos 12 candidatos.