Nesta terça-feira completa-se um mês do golpe em Honduras e até agora não se chegou a uma solução para o retorno da democracia ao país. Ontem, as forças armadas acenaram com o seu apoio a uma solução negociada para a crise. Solução que deve passar obrigatoriamente pelas propostas formuladas pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, que está agindo como mediador. As Forças armadas ressaltaram sua subordinação ao poder civil e destacaram que apoiam um acordo no marco do respeito à Constituição do país. Mas é justamente aí, no respeito à Constituição, que está a origem do problema. Manuel Zelaya era acusado de ter desrespeitado a Constituição. Só que, as forças armadas o prenderam e o largaram fora do país. O destituíram e o impediram de ser julgado em seu país. Ou seja, se havia dúvida quanto a Zelaya ter ou não violado a Constituição, com relação aos não pairaram dúvidas. Houve a flagrante violação constitucional, derrubando um presidente democraticamente eleito, não lhe dando chance de defesa. É por isto que nenhum país apoiou o governo que se instalou.
Ninguém apoiou, mas ninguém conseguiu tampouco fazer qualquer coisa para mudar a situação. Tanto, que na sexta-feira, Zelaya ensaiou uma entrada no país. O que só faz piorar a situação, porque aumenta o risco de guerra civil. Quem sabe, a partir do manifesto das forças armadas se possa encaminhar um acordo entre as partes.