A Grécia é a bola da vez na crise internacional. Não está sozinha. Até a forte Alemanha apresentou estagnação, depois de dois trimestres de crescimento no ano passado. Mas a Alemanha tem poder e, possivelmente, vai ter até que ajudar a Grécia, que tem como companheiros de infortúnio Portugal, Irlanda e Espanha. Os quatro formam na sigla em inglês o nome Pigs, porcos. É o grupo que se contrapõe ao Bric – Brasil, Índia, China e Rússia, visto como das economias emergentes, que logo ocuparão as primeiras posições no cenário internacional.
Curiosamente, os integrantes do Pigs foram os países da Europa que mais cresceram nesta primeira década dos anos 2000. Receberam altas injeções de dinheiro da União Européia, com o qual impulsionaram o turismo e a construção civil. Porém, a crise do financiamento de habitações que eclodiu nos EUA também os atingiu. E aí veio o endividamento. E com ele o déficit público. Déficit que, no caso da Grécia, ultrapassou o limite de 4,5% do PIB estabelecido pelo Banco Central da União Européia. Chegou a 12,7%. E as normas da comunidade não permitem socorro do Banco Central, mas sim, obrigado os governos a ajustarem seus orçamentos de modo a conter o déficit. Para outros países, uma solução seria a desvalorização da moeda. Mas a moeda deles é o euro. Não podem mexer. O governo grego decidiu congelar os salários dos funcionários. Esses fizeram greve e saíram às ruas para protestar. Resultado, embora não queira dar mau exemplo, a comunidade vai ter que ajudar a Grécia.