A Grécia está em chamas. Há quatro dias consecutivos são registrados distúrbios, confrontos entre manifestantes e policiais, saques e destruição e incêndios de lojas. As manifestações que ocorrem em pelo menos 12 cidades gregas tem como motivo a morte de um estudante de 15 anos pela polícia grega, no sábado. Morte que teria acontecido em decorrência dos protestos que ocorrem todo ano, no mês de novembro, lembrando fato ocorrido em 1973, quando a junta militar mandou tropas invadir a Universidade Politécnica de Atenas. Ontem, no enterro do jovem, novos distúrbios e manifestações contra o governo direitista de Costas Karamanlis. A oposição está pedindo a renúncia do primeiro-ministro.
Por mais condenável que possa ser, não seria apenas a morte de um jovem estudante que iria causar toda essa mobilização. A morte foi a gota d’água. O problema é a política econômica do governo, agravada nos últimos meses pela crise internacional. Este país de 11 milhões de habitantes e membro da União Européia, experimentou uma década de constante crescimento, o qual baixou substancialmente nos últimos meses. A previsão é de que o crescimento vai ficar abaixo de 2%.
Soma-se a tudo isto, a acusação de corrupção no governo tem o quadro da situação que levou a essa série de distúrbios. Para culminar, está convocada para hoje uma greve geral, contra a proposta do governo de reforma trabalhista. Em suma, o quadro político é o pior possível para Karamanlis.