A condução da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã expõe um cenário de incerteza militar, instabilidade econômica e crescente isolamento diplomático. No centro dessa turbulência está o presidente Donald Trump, cujas declarações contraditórias têm ampliado a desconfiança entre aliados e adversários. Enquanto o conflito se arrasta sem definição clara, seus efeitos se fazem sentir no mercado internacional de energia e na política interna norte-americana.
CONTRADIÇÃO
Trump alterna discursos de confronto direto com acenos de negociação. Em um momento, fala abertamente sobre a possibilidade de uma ofensiva terrestre contra o Irã; em outro, afirma que busca canais diplomáticos com Teerã. Essa ambiguidade compromete a credibilidade da estratégia americana e dificulta qualquer tentativa de mediação internacional. Uma mediação que vem sendo desenvolvida por Paquistão e Turquia. A falta de coerência não apenas enfraquece a posição dos Estados Unidos, como também encoraja o prolongamento do conflito por parte dos adversários.
COMPANHIA
Falo de adversários porque o Irã não está sozinho no conflito. Tem a ajuda do Hezbollah e dos Touthis, dois movimentos terroristas sustentados por Teerã. Só que está havendo uma diferença nos resultados obtidos pelos dois auxiliares iranianos. O Hezbollah faz alguns ataques, mas, está sendo massacrado no Líbano. Aliás, sua presença ali faz com que boa parte da capital libanesa acabe sendo destruída, assim como um significativo número de libaneses acabe morrendo, pelos ataques de Israel.
Já os Touthis, sediados no Iêmen, têm conseguido lançar seus foguetes contra Israel e ameaçam fechar uma outra passagem estratégica do petróleo: o Estreito de Bab El-Mandeb, situado justo na entrada do Mar Vermelho, nos limites do território do Iêmen, de um lado, e de Djibouti e Eritréia de outro.
ISOLAMENTO
Voltando a Trump, sua relação com a Europa deteriorou-se rapidamente. Diante da pressão de Washington para uma ação conjunta visando a liberação do Estreito de Ormuz, países europeus recusaram apoio militar direto, alegando que a guerra não lhes pertence. Uma posição que foi referendada nesta quarta-feira, 01, pelo primeiro ministro britânico Keir Starmer. A resposta de Trump foi de irritação, elevando o tom contra aliados históricos da Otan. O episódio aprofunda fissuras na aliança ocidental e evidencia um afastamento estratégico que pode ter consequências duradouras no equilíbrio geopolítico global.
PRESSÃO
No Golfo Pérsico, a situação também se complica. Trump passou a exigir que monarquias da região contribuam financeiramente com os custos da guerra. A demanda gerou desconforto e indignação, especialmente porque esses países já sofrem ataques decorrentes do conflito, mesmo sem participação direta. A cobrança americana é vista como injusta e oportunista, aumentando a tensão em uma região já altamente volátil.
IMPACTO
A indefinição do conflito intensifica a crise do petróleo, com reflexos diretos na economia mundial. O bloqueio parcial do Estreito de Ormuz eleva os preços e alimenta temores de desabastecimento. Nos Estados Unidos, os efeitos políticos também são evidentes: protestos contra a guerra e contra a condução do presidente ganham força. A combinação de desgaste externo e pressão interna coloca Trump diante de um cenário cada vez mais adverso, no qual a falta de uma estratégia clara pode custar caro tanto no campo diplomático quanto no doméstico.
No que toca ao aspecto interno, a preocupação aumenta entre os republicanos, que veem a perspectiva de um mau resultado nas eleições de meio de mandato, em novembro, quando é renovada a Câmara dos Deputados e o Senado. A perda da maioria que os republicanos detêm hoje é uma possibilidade crescente.