Hilary Clinton acabou sendo confirmada como secretária de Estado. Aliás, é terceira mulher, nas últimas duas décadas, a assumir a diplomacia americana. Tivemos Madeleine Allbright, no governo Clinton, Condoleezza Rice, no governo Bush, e agora teremos Hilary.
A busca para o governo da sua rival de campanha, faz Obama mostrar que o Partido Democrata está mais unido do que nunca. Que não rachou durante a campanha. No entanto, em termos de política externa, a indicação da senadora por Nova York deixa antever que o governo Obama não será tão aberto ao diálogo e à aproximação até com inimigos tradicionais, como se propôs Obama durante a campanha.
Em dois pontos da política externa Obama e Hilary divergiram profundamente. Um deles, quanto à guerra no Iraque. E esta não foi apenas uma divergência de campanha, mas de posicionamento no Senado por ocasião da deflagração do conflito. Obama foi contra e Hilary a favor. Outro aspecto, diz respeito à anunciada disposição de Obama de negociar com qualquer líder mundial, inclusive do Irã, sem pré-condições. Durante a campanha, Hilary qualificou de “ingênua” esta posição.
Assim, será preciso ver quem mudou de posição, se Hilary ou Obama. E isto só o tempo irá explicar. Agora, o que já da para perceber é uma mudança substancial com relação ao unilateralismo de Bush, para quem os EUA eram o centro do universo. E esta mudança pode ser percebida pelo que disse Hilary ao ser apresentada por Obama como a sua secretária de Estado.
“A eleição de Obama mostrou que o povo americano quer uma mudança na posição da América no mundo. Nossos interesses não podem ser defendidos somente pela força ou somente pelos americanos. A América não pode resolver os desafios sem o mundo e o mundo não pode resolver os desafios sem a América”, disse a democrata. E é isto que se espera do governo de Obama: uma interação com o mundo.
AÇÃO COMO MEDIADOR
Em termos de política externa, o maior desafio que Barack Obama tem pela frente é a luta contra o terrorismo. Luta que tem que ser bem diferente da que desenvolveu George Bush, o qual só fez incrementar mais o terror. Basta ver agora Mumbai, na Índia, que repetiu horror semelhante ao 11 de setembro nos EUA. Para que Obama tenha sucesso, a primeira tarefa a cumprir será a cooperação entre os países. E isto passa por colocar lado a lado inimigos antigos, como Índia e Paquistão, e Irã e Iraque. Sem falar na colaboração que deve se estabelecer entre Israel e os países árabes.
Será fundamental essa união de governantes para lutar contra as facções. Paquistão e Índia, que têm múltiplas facções étnicas religiosas em cada país, já travaram três guerras, desde que a Inglaterra lhes concedeu a independência, em 1947. Os dois se nuclearizaram e travam uma disputa por causa da Caxemira. O governo do Paquistão se mostrou disposto a colaborar na investigação dos atentados de Mumbai, mas se sabe que há setores dos ISI, o seu serviço secreto, que atuam de forma autônoma. Setores que, inclusive, poderiam ter colaborado para os atentados. Por aí se pode dimensionar a complexidade das relações entre os dois países. E se pode perceber também o desafio para a política externa americana, caso queira mesmo agir como mediador.