A vitória praticamente certa de Cristina Kirchner nas eleições argentinas, está levantando algumas colocações sobre o futuro do país. A primeira delas é de que está se constituindo uma dinastia dos Kirchner para tomar conta da nação. O marido estará agora passando o bastão para a esposa e esta irá devolvê-lo nas eleições de 2011. Cartazes estão expostos pelas ruas de Buenos Aires, apresentando o casal Kirchner vestido como reis, tendo a coroa na cabeça.
Mas se quanto ao triunfo de Cristina não pariam dúvidas, o mesmo não se pode dizer com relação ao crescimento futuro do país. A Argentina vem crescendo nos últimos anos numa média de 8%. Mas o grande problema é a inflação, que, por sinal, está sendo maquilada. O Indec, que é o IBGE da Argentina, aponta a alta este ano em 5,8%. Para institutos particulares, a inflação é de 16%. E, em casos extremos, como nas províncias de La Pampa e de Chubut, os preços subiram 30%.
Para minimizar o problema da inflação, Kirchner tem negociado preços diretamente com empresários. Só neste mês de outubro, por exemplo, teve dois encontros. Primeiro, pediu congelamento, depois, um desconto de 5% nos valores de 400 produtos. O crônico problema da inflação é um entrave para o crescimento do país. Tanto que a projeção de crescimento para o ano que vem é de 4%, ou seja, metade do índice deste ano. E no seu primeiro ano de governo, Cristina terá que tomar medidas amargas para compensar os ajustes que deixaram de ser feitos neste ano. Afinal, não se pode esquecer, que este é um ano eleitoral.