O Irã segue com a sua controvertida política: ora faz um aceno de paz para o Ocidente, ora faz uma demonstração de força. Ontem, por exemplo, o país fez o teste de um míssil que tem um alcance de pouco mais de 2000 km, o que significa que pode atingir Israel ou bases americanas no Golfo Pérsico. O míssil Sejil 2 não é uma novidade. O próprio secretário de Defesa americano Robert Gates disse que esse míssil já fora testado outras vezes. Assim como não é novidade o programa nuclear iraniano, que o presidente Mahmoud Ahmadinejad disse que vai levar adiante.
Essa demonstração de força até pode ajudar Israel na sua pressão sobre os EUA, no sentido de ter uma postura mais firme com Teerã. Pois nem mesmo com essas demonstrações de ontem o presidente Obama mudou de posição. Reiterou que seguirá buscando o diálogo com o Irã. Mas salientou que ficará esperando indefinidamente. Quer um acerto até o final do ano.
E este poderá vir bem antes. Simplesmente, porque as ações de ontem, demonstrando uma postura rígida frente ao Ocidente, são para domínio interno. Nada mais são do que proselitismo eleitoral. O Irã tem eleições presidenciais agora em junho e Ahmadinejad é candidato à reeleição. Mas como tem mais três concorrentes – um deles muito forte, o aiatolá Mohamad Khatami – o atual presidente resolveu usar os brios nacionais para cativar o eleitor.