O governo do Irã resolver virar sua metralhadora para o Ocidente, acusando EUA, Reino Unido e França de estarem fomentando as manifestações que estão acontecendo no país, em protesto ao que consideram fraude nas eleições presidenciais. O presidente reeleito Mahmoud Ahmadinejad recomendou neste domingo aos EUA e Reino Unido que corrijam sua posição de interferência. Já o chanceler Manuchehr Mottaki classificou de irresponsáveis as declarações de seu colega da França Bernard Kouchner, que se referiu às manifestações populares como “uma expressão de revolta democrática”. O ministro iraniano pediu que a França se desculpe por isso.
As reações dos dirigentes iranianos são típicas dos radicais que não querem admitir contestação interna. Assim, é mais fácil creditar as manifestações a ações de inimigos externos. Mas é preciso salientar que as acusações aos EUA chegam a ser ridículas, por um simples fato: o presidente Barack Obama está sendo criticado em seu país por sua neutralidade com relação à crise iraniana. E as críticas nesse sentido que eram feitas pelos adversários republicanos, já passam a ser feitas também pelo parceiros democratas. Há um crescente descontentamento nos EUA com a não tomada de posição por parte de Obama. De sua parte, o presidente usa um argumento específico para justificar sua neutralidade. Diz que o seu objetivo é resolver com o Irã a questão do seu programa nuclear. E isto não será nem Ahmadinejad, nem seu oponente Hossein Mousavi que irão resolver, porque quem manda no país é o aiatolá Ali Khamenei. E por isto ele espera sentar a poeira no Irã para depois tentar uma negociação.
Mesmo com essa neutralidade, Obama não escapa da acusação iraniana. Uma acusação que demonstra que o regime está balançando diante da revolta popular.