A Irlanda não resistiu. Teve que abrir mão de sua soberania e aceitar a ajuda do Banco Central Europeu. Ajuda esta que será, no mínimo, de 60 bilhões de euros, podendo chegar a 100 bilhões. O que demonstra o rombo estabelecido no cofre do país que, até bem pouco tempo atrás, era visto como o grande exemplo de crescimento com sustentabilidade. Só que, crescimento sustentável dentro dos preceitos da União Européia prevê que o déficit fiscal não pode ser superior a 3,3% do PIB. Pois o déficit da Irlanda chegou a 32% do PIB.
O país experimentara um crescimento acentuado desde os anos 1990, baseado no setor da construção civil. Mas veio a crise de 2008 e os imóveis se desvalorizaram de 50% a 60%. Com isto os bancos afundaram e o governo teve que injetar 30 bilhões de euros para salvá-los. Só que, não houve a devida recuperação e o rombo já ultrapassa 60 bilhões de euros, ou seja, o montante que o BC europeu irá emprestar. Mas isto, logicamente, irá implicar o rígido controle sobre as finanças irlandesas, o que pressupõe extremo arrocho para os próximos anos.