A história da Cuba pós-revolução é no mínimo curiosa. Agora, por exemplo, vem a revelação de que Juanita Castro, a irmã de Fidel e de Raul, foi agente da CIA, a agência de espionagem dos EUA. A revelação está contida no livro de memórias, lançado nesta segunda-feira e chamado “Fidel e Raúl, meus irmãos. A história secreta”, escrito pela jornalista Maria Antonieta Collins. O lançamento se deu em Miami, onde Juanita mora atualmente.
Ela não se considera uma traidora da revolução. Entende que a revolução é que mudou de rumo. Diz que apoiou o golpe que derrubou a ditadura de Fulgênio Batista e seguiu apoiando o movimento. Mas se desiludiu rapidamente em razão do grande número de execuções e de outros abusos da revolução. Não se pode esquecer a famosa ordem de Fidel, “al paredón”, para onde mandava todos aqueles que contrariavam os rumos da revolução.
Juanita conta que resolveu deixar Cuba em 1964, exilando-se no México. Tempos depois, mudou-se para Miami, onde abriu uma farmácia. O interessante é a revelação de que já colaborava com a CIA antes mesmo de sair de Cuba. Essa colaboração teria começado logo após a fracassada tentativa americana de invasão da Baía dos Porcos, em 1961. Seu codinome era “agente Donna” e a comunicação com a CIA se dava através de mensagens cifradas por rádio em ondas curtas.