O presidente Barack Obama tinha a pretensão de concluir, até o final deste ano, um acordo entre israelenses e palestinos, que resultasse na formação do Estado da Palestina. Disse tinha, porque já há o convencimento na Casa Branca de que isto se torna impossível no atual contexto. Especialmente, pela posição do governo do primeiro-ministro Benyamin Netanyahu, que segue com a sua política de assentamentos judaicos nas áreas da Cisjordânia ocupada. Vale lembrar que a legislação internacional considera todos os assentamentos israelenses construídos em território ocupado na Guerra de 1967 (Cisjordânia, Gaza, Jerusalém Oriental) ilegais e entende que supõem um sério obstáculo para a paz e o estabelecimento de um futuro Estado palestino.
No início de julho um relatório publicado pela organização israelense de direitos humanos B-Tselem apurou que os assentamentos judaicos representam 42% do território palestino ocupado da Cisjordânia. Um quinto (21%) das colônias judaicas estão erguidas sobre terras que Israel reconhece como terrenos privados palestinos, em contraposição com aquelas parcelas que o Estado judeu qualifica como “terrenos do Estado” embora, segundo a legislação internacional, toda a Cisjordânia faça parte dos territórios ocupados em 1967. Os dados oficiais assinalam que as zonas de construção dos assentamentos cobrem cerca de 1% da Cisjordânia, mas a ONG israelense revela que seus limites jurisdicionais superam 42% da superfície do território. Ou seja, a ocupação territorial da Cisjordânia pela comunidade judaica segue sendo uma política de governo de Israel e, como tal, não se vislumbra acordo.