O governo de Israel segue aplicando algumas medidas isolacionistas. Uma delas é a exigência a não judeus que queiram obter cidadania israelense de prestar juramento de lealdade ao país como “Estado judaico”. Trata-se de uma radical mudança de postura por parte de Israel, que antes orgulhava-se de se apresentar como um Estado laico e democrático. Agora, assume uma postura semelhante à de muitos Estados árabes, ou mesmo o Irã, que se assumem como “islâmicos”.
De outra parte, a comissão ministerial do governo de Israel para assuntos legislativos aprovou nesta segunda-feira um projeto de lei estabelecendo que, caso o governo resolva devolver as colinas de Golã à Síria ou Jerusalém Oriental aos palestinos, a decisão deverá obter a confirmação de um plebiscito popular. De acordo com o projeto de lei aprovado pela comissão legislativa, se houver um acordo de paz com a Síria ou com os palestinos, a aprovação do governo e da maioria do Parlamento de Israel não será suficiente para que o país se retire dos territórios ocupados na guerra de 1967 e posteriormente anexados.
O projeto de lei prevê que, caso a retirada israelense de um desses territórios seja aprovada por uma maioria especial, de 80 a 120 membros do Parlamento, não haverá necessidade do plebiscito; porém, uma maioria simples não será suficiente. A nova decisão é vista como um obstáculo, por parte de Israel, para qualquer acordo de paz tanto com a Síria como com os palestinos.
A proposta gerou divergências no governo de Israel. O ministro da Defesa, Ehud Barak, afirmou que o novo projeto de lei “coloca uma dúvida sobre a vontade e a capacidade do governo de conduzir o processo de paz”. Barak pediu que o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, “aja para remover o obstáculo à paz imposto pela lei”.
Na realidade, Netanyahu quer é ir empurrando do processo de paz com a barriga.