O governo de Israel anunciou nesta quarta-feira o congelamento da política de estabelecer colônias judaicas em territórios palestinos da Cisjordânia. A notícia foi saudada pelo governo dos EUA, que vê na atitude a possibilidade de retomada das negociações de paz, com vistas à formação de dois Estados – de Israel e da Palestina -, convivendo sob fronteiras definidas e seguras. A notícia também foi saudada como uma possibilidade de o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, desistir da decisão de não concorrer à reeleição. Afinal, todos sabem que sem ele o processo de paz se torna muito mais difícil.
Mas, e sempre há um mas em tudo que é decidido, Jerusalém Oriental não foi incluído no processo de congelamento de assentamentos. E não o foi por aquele aspecto que tenho ressaltado desde que visitei Israel, cerca de três meses atrás: o governo israelense até poderá aceitar a formação do Estado Palestino na Cisjordânia, mas não aceitará dividir Jerusalém. Israel já declarou em 1981 que Jerusalém é a sua capital indivisível.
E este, portanto, poderá ser o fator a minar a euforia demonstrada pelos EUA com o anúncio da interrupção dos assentamentos.