Diante do esperado anúncio da presidente Cristina Kirchner pedindo a anulação judicial do acordo de 1976 em que os jornais La Nación e Clarín compraram a empresa Papel Prensa, os dois periódicos argentinos publicaram uma declaração cujo título é “Uma história inventada para ficar com a Papel Prensa”. Vale recordar que o controle acionário da empresa é 49% do Clarín, 22,5% do La Nación e 27,5% do governo, ficando o restante 1% com pequenos acionistas.
A nota diz que os acionistas privados vêm denunciando há cerca de um ano o “plano do governo federal para apoderar-se da empresa e controlar a distribuição do papel para os diários, insumo essencial para a liberdade de imprensa. Controlar o papel é controlar a imprensa, e isto é o que o governo vem buscando através de várias ferramentas: a propaganda oficial, a lei dos meios, o controle do acesso à informação, o manejo militante dos meios públicos e a multiplicação dos meios para-oficiais”. Segue a nota dizendo que “nos últimos dias esta ação contra o direito da sociedade à livre informação se comprovou com o cancelamento da licença de um sistema provedor de internet”, diz a nota, que reúne mais uma série de acusações ao governo de Cristina.
Com o episódio desta terça-feira chega-se a uma etapa decisiva desta queda de braço entre o governo e a imprensa na Argentina. Resta acompanhar qual será o resultado.