O líder líbio Muammar Khadafy é a bola da vez no jogo de derrubada de ditadores que se estabeleceu no mundo árabe. Não surpreende. Ele está desde 1969 no poder. São quase 42 anos, portanto. Naquela ocasião, ele liderou um grupo de jovens oficiais islamitas radicais que derrubou a monarquia do país e estabeleceu uma ditadura. A qual agora está sendo abalada pela revolução da internet. Aquela que liga os jovens do mundo através do Orkut ou Facebook. E a pergunta que se estabelece é a mesma que foi feita quando da revolução que derrubou Hosni Mubarak no Egito: esses jovens querem democracia ou lutam apenas para derrubar o ditador. Jovens são impetuosos em qualquer parte do mundo e em qualquer parte fazem muita agitação por pouca coisa. Todavia, o movimento que abala o mundo árabe parece ser mais consistente. O mundo globalizado mostra para os jovens o quão diferente é viver em um país em que os direitos de se expressar e de se locomover são respeitados. E por mais que as ditaduras tentem abafar, eles conseguem as informações. Daí a força das manifestações que, seguramente, deixarão o mundo árabe diferente do que foi até agora.
NÃO RENUNCIA
O ditador líbio Muamar Kadafy fez um pronunciamento à nação nesta terça-feira, dizendo estar disposto a morrer como um mártir e que não renunciará. Faz parte do estilo dele. Assim como também faz a maneira como reagiu às manifestações contra seu governo: bombardeando os opositores.
Kadafy tem um histórico de violência. Não foi sem razão que o então presidente americano Ronald Reagan, não só o arrolou como um dos comandantes do terrorismo internacional, como o atacou em Trípoli, em episódio que resultou na morte de uma sua filha adotiva. A história de terror de Kadafy já vem desde 1972, quando apoiou a ação do grupo palestino chamado “Setembro Negro”, que atacou a delegação israelense que participava da Olimpíada de Munique. Foram líbios os comandos que explodiram uma discoteca em Berlim, em 1984, matando soldados americanos, fato que levou à retaliação de Reagan. Assim como também foram terroristas líbios que fizeram explodir o avião da Panam, que caiu sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1988, matando 270 pessoas.
Então, por todos estes aspectos não surpreende que Kadafy tenha mandado as forças de segurança atacar quem pedia a sua saída do poder. E também não surpreende o fato de que poderá contrariar os seus parceiros da Tunísia e do Egito, que aceitaram a renúncia. Esse parece ser daqueles que só sai morto.