Diante da crise que se abate sobre os EUA, ressurgem com muita força as teorias de John Maynard Keynes, o guru da recuperação americana quando da crise que levou à grande depressão de 1929. Naquela ocasião, Keynes defendeu vigorosamente a idéia de que os gastos governamentais poderiam fortalecer a economia em um período recessivo. E suas idéias foram vitoriosas, o governo investiu forte em obras como pontes, hidrelétricas, estradas, etc., e o país se recuperou.
A teoria keynesiana está sendo defendida agora por Michael Mandel,em artigo publicado na revista Business Week. Diz ele que existe uma força surpreendente que poderia deter o esfriamento da economia: uma máquina de 3,5 trilhões de dólares, que envolve os setores da saúde e da educação. Esses dois setores agregados constituem a maior fonte individual de trabalho nos EUA, empregando 28 milhões de pessoas, ou cerca de 20% da mão-de-obra total.
Diz Mandel que “aquecidos pela demanda dos ´baby boomers´ – os atuais idosos – e pelo crescente número de matrículas de estudantes, os hospitais e as escolas continuam contratando, enquanto que outros setores da economia estão cortando despesas. Por isto, ele entende que a contratação de mais professores, enfermeiras e ajudantes hospitalares ajudaria substancialmente a afastar a recessão.
O autor do artigo diz que não se deve esperar que as exportações socorram os EUA, mesmo com o dólar mais desvalorizado. E tem um argumento forte: a crise americana está afetando a Europa, que está em desaceleração e, como tal, a demanda por produtos ´made em EUA´deverá diminuir. Em contraste, destaca, a demanda por trabalhadores para os setores de educação e saúde continua em alta. Poucos anos atrás, em 2002, o Ministério da Educação publicou projeções mostrando que o número de matrículas em cursos elementares e ginasiais atingiria um pico em 2005. No entanto, atualmente, o número de alunos está 2 milhões acima deseu pico, ou seja,continua crescendo. E o mesmo está acontecendo com educação superior.
Atendimento de saúde e educação responderam por cerca de 63% do crescimento total do emprego desde o último pico do ciclo econômico, em março de 2001. Agregados, os dois setores criaram 3 milhões e 700 mil novos empregos. Em comparação, a segunda maior fonte de novos empregos, os setores de lazer e hospitalidade, geraram 1 milhão e 700 mil novas oportunidades.
Assim, lembrando John Maynard Keynes, Mandel diz que “no momento atual, ampliar as dotações federais para saúde e educação nos estados, embora uma iniciativa politicamente controversa, poderia ser uma maneira rápida e eficaz de reduzir os cortes de postos de trabalho quando ocorrem as quedas na receita. Até agora, a expansão dos setores de sáude e ensino surge como a alternativa mais viável para contrabalançar os efeitos adversos do colapso no mercado habitacional e da retração de consumo. Salienta que, “se isto for feito, Keynes poderá estar de volta, breve, em todas escolas e hospitais.