O mundo foi surpreendido pela morte do ex-presidente argentino Néstor Kirchner, aos 60 anos de idade. Portanto, morte prematura, para quem se preparava para voltar ao poder, numa alternância com sua mulher Cristina. Kirchner é uma das figuras marcantes dos tempos recentes da política argentina. Tanto que ao morrer exercia os cargos de deputado federal pela província de Santa Cruz, presidente do Partido Justicialista e secretário-geral da Unasul, a União de Nações Sul Americanas. Mas ele já fora também governador por três mandatos da província de Santa Cruz, onde tinha o seu feudo eleitoral, e onde também, se dizia, fazia muitas negociatas. Seus críticos afirmam que sua gestão não foi diferente da maior parte dos governadores peronistas, e que seguiu as diretrizes políticas ditadas pelo então presidente Carlos Menem, baseando-se no personalismo e no autoritarismo, mantendo controle sobre a imprensa local e nomeando como juízes da Suprema Corte Provincial pessoas de sua confiança. O uso político do funcionalismo público e uma economia fortemente subsidiada teriam levado ao clientelismo político em Santa Cruz.
Kirchner alçou sua caminhada nacional ao posicionar-se contra o terceiro mandato de Menem. Ele assumiu o governo em março de 2003, sucedendo a Eduardo Duhalde, que conseguira tirar a Argentina do buraco, depois da quebradeira de 2001. Deu sequência à recuperação econômica do país, o que lhe permitiu eleger presidente sua mulher Cristina, a quem aspirava suceder. Tanto, que atuava como uma espécie de “eminência parda” do governo.