Em meio às posições antagônicas assumidas na Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio, o presidente Lula está na Argentina buscando aproximar os negócios entre os dois países. Lula chegou a Buenos Aires com uma comitiva de 350 pessoas, sendo 264 empresários da primeira linha, representando empresas como Petrobrás, Camargo Correa, Embraer, etc, sob a liderança de presidente da poderosa Fiesp Paulo Skaf.
Hoje e amanhã será desenvolvido um seminário, chamado “Argentina-Brasil – uma aliança produtiva chave”. Aliança que balançou em Genebra, quando o Brasil aceitou a proposta da União Européia, contrariando a posição argentina. Na ocasião, o chanceler Celso Amorim disse que o Brasil não poderia ficar refém da Argentina. Em meio ao fracasso da negociação na OMC, Amorim aproveitou para amenizar, dizendo que o termo refém não era correto e que o Brasil sempre teve solidariedade com a Argentina. E as diferenças que poderiam advir de um acordo com a Europa seriam compensadas no âmbito do Mercosul.
Na realidade, com o fracasso de Genebra, mais os países precisam se preocupar com o Mercosul. Porém, fosse qual fosse o resultado da OMC, o presente encontro na Argentina foi preparado com muito esmero, visando ampliar a presença brasileira no vizinho país que, diga-se de passagem, é cada vez maior.
Nos contatos de governo feitos pelo Itamaraty, a equipe de Cristina Kirchner apontou setores como os de autopeças, software, eletroeletrônicos, metalúrgico e agroindústria como “carentes de investimentos”. Setores em que o governo argentino teria interesse em apoiar a instalação ou ampliação de fábricas. Vale lembrar que em 2007, 60% dos investimentos brasileiros na Argentina foram dirigidos à aquisição ou ampliação de empresas já existentes. 32%, porém, foram para novos empreendimentos. O restante destinou-se a associações ou terceirização de atividades.
Agora, com este elenco de 264 empresários de ponta que foi à Argentina, para negociar frente à frente com os empresários locais, seguramente que a presença brasileira naquele país irá, no mínimo, dobrar.