O inesperado às vezes acontece. Como este acordo de cessar-fogo agora estabelecido entre Israel e o Hamas, sob a mediação do Egito. Uma trégua para vigorar por seis meses, segundo o anunciado. O fato não é novidade. Múltiplos outros acordos deste tipo foram feitos e todos eles desrespeitados. Assim, pelos antecedentes, não se pode depositar lá grandes esperanças. O acordo surge em meio a constantes ataques mútuos entre militantes do Hamas e tropas israelenses. E também em meio a manifestações de lideranças do grupo radical palestino no sentido de não reconhecer a existência de Israel. Mas, também, em meio a um intenso cerco a Gaza pelo exército israelense. Mais especificamente, um bloqueio total àquela área dominada pelo Hamas e onde vivem um milhão e meio de palestinos. E este aspecto bloqueio, seguramente, que foi o fator principal fator a levar o Hamas a aceitar uma trégua. A falta de alimentos, de medicamentos e de condições normais de sobrevivência, levou o grupo radical a negociar.
Há que ter cuidado agora para que se cumpra o cessar-fogo. Há o risco de que, tão logo alivie o bloqueio, algum radical já lance um foguete em direção a Israel. Com o que, como das vezes anteriores, teríamos uma resposta forte de Israel e tudo voltaria ao seu “normal”, ou seja, ao estado de permanente confrontação. Para evitar que isto se repita será necessário a ação de agentes externos, como o próprio Egito, que mediou a trégua, a Arábia Saudita, que dá muita ajuda aos palestinos, e os EUA e a União Européia que também ajudam financeiramente os palestinos e têm ascendência sobre Israel.
Soma-se ainda a pretensão do presidente Bush de conseguir, antes do término do seu mandato, estabelecer um acordo que leve ao Estado Palestino. Bem, mas aí já é querer o impossível.