Durante encontro que teve esta semana na Casa Branca com Barack Obama, o primeiro-ministro de Israel, Benyamin Netanyhau, deixou claro que, se dependesse apenas de Israel, as instalações nucleares do Irã já teriam sido bombardeadas. Logicamente – isto o primeiro-ministro não disse – que com um custo muito alto para a população israelense, tendo em vista que o Irã, por certo, iria retaliar. E com consequências muito graves para o Oriente Médio, pois poderíamos ter uma conflagração generalizada na região. Contrariando Netanyahu, Obama disse que ainda há espaço para a diplomacia. Não deixou de ressaltar o compromisso inquebrantável dos Estados Unidos para com Israel, mas deixou clara sua preferência pelo diálogo. O que se justifica por uma série de fatores, sendo um deles o fato de os Estados Unidos terem estado envolvidos em duas guerras nos últimos dez anos, com um altíssimo custo financeiro e muito pouco ganho político. Talvez os mais significativos tenham sido a morte de Bin Laden e o afastamento do Talibã do poder no Afeganistão. Este último, no entanto, corre o risco de se esvair, pois o retrógrado movimento segue atuante e com grandes possibilidades de retomar o poder, quando os Estados Unidos deixarem o país. Obama conseguiu se livrar da outra guerra, a do Iraque, onde o governo americano torrou um trilhão de dólares, para que as petroleiras americanas pudessem ficar explorando o precioso produto. Ou seja, o povo americano pagou para as empresas ganhar. Sem contar o custo político de terem feito uma guerra em nome de uma mentira. Mas isto para eles não muita importância.
Na real, o que importa agora é a questão do Irã, país cujos dirigentes, inegavelmente, não são confiáveis, mas que está sendo transformado no inimigo da ocasião, assim como o Iraque de Saddam Hussein também o foi. Para entender isto, é só ler o livro de Pierre Conesa “Fabricando o Inimigo”. O Irã, como signatário do Acordo de Não-Proliferação Nuclear, tem tanto direito, quanto o Brasil, a Argentina ou outro signatário, de desenvolver o programa de Medicina Nuclear, como alega que está fazendo. Mas o que precisa é ser transparente, como são os demais. E é isto que os cinco membros nucleares do Conselho de Segurança da ONU – EUA, Rússia, China, França e Reino Unido – com mais a Alemanha, estão buscando. Aceitaram uma oferta de diálogo feita em fevereiro pelo Irã. Assim, precisam ir a fundo e com urgência, para saber se o programa está limitado à área civil ou está avançando, como diz Israel, para a produção da bomba, cuja conclusão já estaria bem próxima. Daí a determinação de Netanyahu de logo atacar.
Assim é que o grupo chamado de P5+1precisa considerar o direito que o Irã de ter o seu próprio programa, o que significa concessões, assim como Teerã precisa abrir suas portas, sem restrições, para os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica. É a grande chance que está sendo dada para a paz. Se fracassar….
Estou viajando neste final de semana para os Estados Unidos, onde passarei duas semanas observando as primárias dos republicanos e como está se dando a recuperação econômica encaminhada pelo governo Obama. Estarei relatando diariamente pela Rádio Guaíba e no próximo domingo por esta coluna.