O mundo civilizado já se deu conta de que não pode confiar no russo Vladimir Putin. O homem que costuma promover “acidentes” mortais com seus opositores. O exemplo mais contundente de inconfiabilidade de Putin diz respeito à Ucrânia. Vale lembrar que lá no início de 2022 ele mobilizou as tropas russas para a fronteira com aquele país. Logo, muita gente viu o ato como uma manobra para invadir a Ucrânia. Pois Putin jurou que se tratava apenas de manobra militar regular e que ele não tinha mínima intenção de invadir o país vizinho.
Pois bem, todo mundo sabe o que se deu poucos dias depois deste pronunciamento: a invasão do território ucraniano pelos tanques russos, no que foi chamado de “operação militar especial”. Aliás, é como ele chama até hoje esta guerra que desfechou contra um país independente, só porque esse país, que viveu sob o jugo comunista de Moscou até sua independência, em 1991, queria seguir o caminho dos vizinhos, Polônia, Romênia, Bulgária, Hungria e outros, que passaram a fazer parte da Otan ou da União Europeia. Ou, até de ambas as organizações. Com o que, passaram a usufruir de um outro status, representado por liberdades políticas e crescimento econômico.
MANOBRA
Faço toda esta introdução para embasar os argumentos na análise das manobras militares conjuntas que a Rússia realiza com a aliada Belarus, junto às fronteiras dos países vizinhos, apenas três dias após drones suicidas russos terem sobrevoado o espaço aéreo da Polônia. E isto porque a notícia vinda de Moscou nos dá conta de que o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que as preocupações europeias são “emoções resultantes de hostilidade contra a Rússia” no contexto da Guerra da Ucrânia. Ele reiterou que as manobras são de natureza defensiva, e nesta semana o presidente Vladimir Putin havia dito que não tem intenção alguma de atacar a Otan.
Ou seja, Putin repete o que disse poucos dias antes de 24 de fevereiro de 2022, quando seus tanques entraram em território ucraniano, de onde até hoje não saíram. E nem pretendem sair. Está cada vez mais claro que Putin não abre mão de tomar a parte leste do território ucraniano.
CONTINGENTE
A atual manobra conjunta com a Belarus envolve navios e submarinos das frotas do Norte e do Báltico. Mais tanques, infantaria, helicópteros e até a decolagem de um bombardeiro estratégico Tu-160. Tudo se dando logo após o voo de drones russos sobre o território da Polônia. Episódio que Moscou disse, simplesmente, que não sabia de nada. Que os drones lançados sobre a Ucrânia poderiam ter se perdido. E vejam, não foram dois ou três artefatos, foram 19, a maior parte deles abatida. Um, que caiu, chegou a destruir uma residência.
O detalhe marcante é que houve uma rápida mobilização, não só da Polônia, mas, também de outros parceiros da Otan, como a Holanda e a Finlândia, que enviaram seus caças F-16. Ao mesmo tempo a Polônia pediu uma reunião de emergia da Aliança Atlântica, para definir os rumos a serem tomados diante destes fatos recentes.
DESCONTENTAMENTO
Ficou flagrante, no entanto, o descontentamento dos europeus com os Estados Unidos. Especialmente, com a forma como o presidente Donald Trump tem tratado o russo Vladimir Putin. Ao manifestar sua descrença na afirmação russa de que a invasão de drones tenha sido acidental, o chanceler Polonês, Radoslaw Sikorski, criticou a recepção pomposa que Trump deu a Putin no Alasca.
O americano, no entanto, já se deu conta que não pode contar com Putin para seu projeto de conseguir o término da guerra. E mais, se deu conta também de que o russo não é confiável. E a constatação é de que aquilo que ele está fazendo agora nada mais é do que testar a reação da Otan.
REFORÇO
Uma conclusão a que os membros da Otan já chegaram é de que precisam, urgentemente, incrementar a ajuda à Ucrânia. E isto passa pelo rápido fornecimento de interceptadores de drones, para não precisar mobilizar a aviação para este tipo de ação. Ao mesmo tempo, consideram importante dotar a Ucrânia de sistemas de inteligência e meios materiais para atingir as fábricas de drones e de mísseis em território russo.
Porém, a conclusão mais drástica que é apontada é de que não podem deixar a Ucrânia perder a guerra. Entendem que a vitória da Ucrânia bloqueio os sentimentos expansionistas de Vladimir Putin.