Dois meses depois de empossado, o presidente russo Dmitri Medvedev faz hoje a sua estréia no cenário europeu. Ou, melhor dizendo, com os líderes europeus, porque o encontro será na cidade de Janti-Mansiysk, na Sibéria. Aliás, o nome Sibéria lembra os velhos de tempos de repressão do regime comunista da ex-União Soviética. Era para a Sibéria que eram enviados aqueles que não queriam aceitar os dogmas do regime. Iam enfrentar os rigores da gélida região. É por isto que é significativo este encontro de Medvedev com os líderes europeus justo nessa região. Encontro que, evidentemente, não será realizado nas gélidas masmorras a que eram levados os dissidentes do regime comunista, mas sob a calefação de um confortável hotel.
O encontro tem importância especial porque o antecessor de Medvedev, Vladimir Putin, teve nos últimos tempos de seu governo uma relação tumultuada coma Europa. E a curiosidade fica também pelo papel que Putin irá desempenhar, tendo em vista que hoje ele é o primeiro-ministro da Rússia. Ao seu tempo, o cargo não tinha expressão, por isto a expectativa se agora irá ter ou se ele se manterá discreto, como foram os seus antecessores nesse posto.
De qualquer forma, as pendengas da Rússia com a União Européia prosseguem e envolvem dois temas. Um deles, a expansão da Otan para o Leste, abarcando países que ao tempo da União Soviética gravitavam em torno de Moscou. Outro, a disposição dos EUA de instalar sistemas anti-mísseis na Polônia e na República Tcheca. Estes são os assuntos que devem prevalecer neste encontro.