Segundo o primeiro-ministro do Iraque, Nuri Al-Maliki, está sendo lançada o que chama de “batalha final” contra a organização Al-Qaeda. Essa “ação decisiva” está sendo deflagrada em Mossul, no Norte do país, tendo em vista que no restante do território o braço iraquiano da organização liderada por Bin Laden já estaria derrotado, segundo o premiê.
A presença da Al Qaeda no Iraque merece uma análise especial. Que a organização está perdendo força parece verdade. Embora há dois dias tenha promovido um atentado em Mossul, que deixou 35 mortos e 217 feridos. Mas suas ações tem ficado cada vez mais limitadas ao Norte, onde está sob cerco. A população iraquiana, cansada por quase cinco anos de guerra, já não dá mais apoio para o grupo, assim como também tem se tornado mais escasso o apoio do Irã, cujo governo está cada vez mais vigiado internacionalmente. Porém ao longo desse período, a Al Qaeda foi a maior responsável pelos atentados que ajudaram a destruir o Iraque.
E agora vem o detalhe marcante: a Al Qaeda não existia no Iraque. Sua presença se deu depois de iniciada a guerra, quando o país se desestabilizou. Porém, o presidente Bush alegava que a organização estava lá. Foi mais uma de suas mentiras. Como a existência de armas dedestruição em massa no país. Aliás, com referência às mentiras de Bush acaba de ser divulgado um estudo do Centro pela Integridade Pública e do Fundo pela Indpendência no Jornalismo, organizações americanas sem fins lucrativos. A constatação é de que George Bush e funcionários importantes de seu governo fizeram 935 declarações falsas sobre a ameaça que o Iraque representava para a segurança dos EUA. Isto, só nos dois anos seguintes aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. O estudo, divulgado nesta quarta-feira, conclui que “as declarações eram parte de uma campanha orquestrada que galvanizou a opinião pública e, no processo, levou o país à guerra sob pretextos incontestavelmente falsos”.
Os pesquisadores descobriram que discursos, briefings, entrevistas e outras ocasiões serviram para que Bush e outros funcionários declarassem inequivocamente em ao menos 532 ocasiões que o Iraque tinha armas de destruição em massa, estava tentando produzí-las ou obtê-las, ou que mantinha laços com a rede terrorista Al Qaeda. “Tornou-se inqustionável, hoje, que o Iraque não possuia armas de destruição em massa, nem tinha vínculos com a Al Qaeda”, escrevgeram Charles Lewis e Mark Reading Smith na sinópse do estudo. Acresfentam que “o governo Bush conduziu o país à guera com base em informações errôneas que as autoridades propagaram metodicamente, em um processo que culminou com a ação militar contra o Iraque a 19 de março de 2003”.
Os números advém de um banco de dados que compliou declarações públicas nos doisanos após o 11 desetembro, bem como relatórios do governo, livros reportagens discursos e entrevistas. Além de Bush, o estudo cita o vice-presidente Dick Cheney, a secretária de Estado Condoleezza Rice e outros. Porém, o presidente está no topo da lista com 259 declarações falsas, seguido do então secretário de Estado Colin Powell.
“O efeito cumulativo dessas declarações falsas, amplificadas por milhares de reportagens em mídia impressa e eletrônica, foi imenso e a cobertura da mídia cfriou um ruído quase impenetrável por diversos meses”, diz o estudo. “Alguns jornalistas e organizações noticiosas admitiram quesuacobertura nos meses que precederam a guerra foi deferente e acfrítima demais.Boa parte dessa cobertura ofereceu validação adicional ‘independente’ às falsas declarações do governo Bush”.
Como se observa, cada vez mais fica comprovada a falsidade da guerra armada por Bush. Porém, a população iraquiana, que nada tinha a ver com o terror, ainda está morrendo em função da mentira de Bush.