O Mercosul tem reunião de cúpula hoje no Paraguai, desta vez sem a presença do presidente Hugo Chávez, da Venezuela. Ele preferiu nesta ocasião viajar a Moscou, onde, dentro do atraso político que lhe é peculiar, lamentou o fim da União Soviética. A propósito, Chávez está tentando fazer em seu país um governo muito parecido com o falecido soviético. Ele tem o domínio do judiciário, o domínio do legislativo, está estabelecendo o domínio da imprensa e quer, como nos antigos e retrógrados regimes comunista, fazer com no seu país exista um só partido.
Mas, para não passar despercebido na reunião do Mercosul, antes de viajar Chávez tratou de alfinetar mais uma vez o Congresso brasileiro pela crítica que este lhe fez por ter fechado a RCTV. Aliás, um tema que foi levantado na reunião desta semana do Parlamento do Mercosul, em Montevidéu, pois a decisão viola os preceitos democráticos e, país que viola esses preceitos não pode fazer parte do Mercosul.
Na real, Chávez já deixou claro que o seu Mercosul é outro. É aquele que junta os que pensam como ele, como Evo Morales, da Bolívia, ou Daniel Ortega, da Nicarágua. E é bom que ele siga por esse caminho, porque o verdadeiro Mercosul precisa se preocupar com temas concretos, como o que está em pauta hoje em Assunção, que é o das assimetrias entre os países membros. Mais importante do que ouvir Chávez, é procurar acertar com Paraguai e Uruguai para que possam participar do processo de negociações em igualdade com Brasil e Argentina. O resto é mero proselitismo.