Depois de a OEA e o mediador Óscar Arias terem retirado seus times de campo em Honduras, quem está chegando lá para buscar um acordo é o secretário-assistente de Estado para o hemisfério Ocidental Thomas Shannon. Já manteve reuniões com o presidente deposto Manuel Zelaya e com o presidente que está no governo Roberto Micheletti. Claro que sem conseguir um acordo.
Em meio à indefinição, cresce a perspectiva de que os EUA venham apoiar a realização das eleições programas para 29 de novembro, mesmo sem um acordo entre as duas partes. Esta tese é defendida pela oposição republicana nos EUA e ganha adeptos entre integrantes do governo Obama. Há o indicativo de que países da região aliados fortes dos EUA, como Colômbia, Peru e Panamá, poderiam dar seu apoio à decisão. Segundo o chanceler brasileiro Celso Amorim, isto criaria um “cenário tétrico” para a região. Entende que poderia servir de exemplo para outros golpes, nessa que é uma região onde a democracia é frágil.
Pois, enquanto o nosso chanceler mostrava a sua indignação com essa perspectiva, o governo de Micheletti entrava com um processo contra o Brasil na Corte Internacional de Justiça de Haia. A acusação é de “ingerência nos assuntos internos” a partir da acolhida dada a Zelaya. Pede a “adoção de medidas provisórias ou cautelares, caso não sejam interrompidas as atividades ilegais do governo do Brasil, que alteram a ordem interna em Honduras…” Ora, ilegal, sabe-se bem, é o atual governo de Honduras, cuja petição não deve ter acolhida na Corte Internacional.