Por questões adversas não pudo colocar no ar o meu site enquanto realizava minha viagem pelos Estados Unidos. Desta forma, coloco agora tudo o que falei e escrivi de lá, desde o dia 16 último.
McCain aproveita o momento – 16/02/08
Escrevo a partir de hoje dos EUA, onde vim para observar as questões relacionadas ao processo eleitoral e à crise econômica. Estou em Chicago, onde a temperatura neste momento é de 12 graus abaixo de zero.
No que toca à economia, para evitar o agravamento da crise, e com isto fazer com que ela influencie o menos possível no processo eleitoral, o presidente bush anunciou nesta semana o seu pacote fiscal. O leão daqui vai devolver dinheiro ao contribuinte, para que compre mais e, com isto, ajude a recuperar a economia. Bush teve o auxílio do Federel Reserve, o Banco Central daqui, que está sinalizando com uma redução nos juros. Ou seja, tudo diferente do Brasil, onde o governo costuma aumentar os impostos e o Banco Central elevar os juros.
Quanto às eleições, John McCain, depois de receber o apoio de Romney, já está quase com o número de votos necessários para obter a indicação republicana. Este ex-combatente do vietnã cresceu na parada, inclusive, revertende o desânimo que predominava entre os republicanos, devido o baixo índice de aprovação de Bush, que está em 30%.
O que está favorecendo também a McCain é a disputa democrata, que se arrasta e promove o natural desgaste, com a troca de críticas entre Hilary e Obama. Em seu mais recente pronunciamento, Hilary acusou Obama de não ter substância nem experiência. Ora, se ele acabar indicado, McCain terá mais um bom subsídio para usar da campanha.
Desajuste dos jovens é preocupante – 18/02/08
Escrevo mais uma vez de Chicago, onde temos algumas diferenças com relação ao Brasil. No que toca ao horário, por exemplo, temos três horas de diferença. Assim, enquanto por aí já se passou cerca de um quarto das 11 horas, por aqui recém passamos este quarto das oito da manhã. A diferença mais acentuada é com relação à temperatura. Temos agora aqui 10 graus abaixo de zero.
Em meio às questões políticas e econômicas, ocupam boa parte do noticiário por aqui questões de desajustes sociais que envolvem os jovens. Como a recente matança de cinco estudantes em uma universidade da localidade de DeKalb e a morte por atropelamento de oito pessoas que assistiam a um racha automobilístico. A matança na universidade repercute muito, por ter ocorrido no campus Norte da Universidade de Illinois. Ou seja, a universidade do Estado onde se localiza Chicago.
São fatos que chocam por não serem casos isolados. Especialmente os relacionados à matança em escola têm se repetido, o que tem motiva grandes discussões, envolvendo psiquiátras, psicólogos, sociólogos, etc. Sem, no entanto, que cheguem a uma conclusão que explique os nefastos acontecimentos. No Brasil, hoje, há a preocupação dos país com o que possa acontecer com os filhos no caminho da casa para a escola. Depois que entram no prédio escolar se estabelece a tranquilidade paterna. Aqui está acontecendo o contrário. O que faz com que a síndrome dos aeroportos esteja se transferindo para as escolas. No entanto, nos aeroportos já se tornou “normal” o rígido controle. Mas, imagine-se, estender o sistema para as escolas?
A propósito de aeroportos, pude constatar uma significativa diminuição nas exigências para se entrar no país. Pelo menos para quem vem do Brasil. Lembro que tempos atrás até o nosso chanceler Celso Amorim, com todas as facilidades de um diplomata, teve que se submeter à exigência de tirar os sapatos, além de todas as revistas pessoais realizadas para entrar no país. Pois eu desembarquei em Chicago, procedente de São Paulo, acompanhado de minha mulher e, para nossa surpresa, não precisamos nem submeter nossas bagagens à revisão. Sequer passaram nossas malas pelo detector de metais. O inspetor da Alfândega olhou para nossas caras, olhou para nossas malas e disse: “ah, do Brasil, podem passar”.
Passamos antes disto pela Polícia Federal, para mostrar o passaporte com o visto de entrada, onde também tivemos um atendimento contrário ao que era costume. Antes, homens e mulheres de “cara amarrada”, atendiam uma pessoa de cada vez e faziam múltiplos questionamentos, sem “mostrar os dentes”. Agora, fomos atendidos de forma conjunta por uma senhora muito alegre e de conversa descontraída, que nos deu uma primeira muito boa impressão. Com a subseqüente e imediata liberação das malas, entrei nos EUA já com uma nova imagem do país.
Chicago não sentea crise – 19/02/08
Quem circula por Chigado, procurando observar os reflexos da crise econômica, a única baixa que sente é na temperatura. Nos últimos dias esta tem batido em 12 graus Célsius abaixo de zero, com alternância de sol, chuva e neve. O frio intenso é a predomância nesta cidade situada às margens do lago Michigan e que é cortada ao meio pelo rio Chicago. Frio a ponto de deixar congeladas as águas do rio e do lago.
O frio da rua sequer é percebido dentro dos prédios, todos com sistema de calefação. Até os dos pobres. Estes ganharam residências dotadas dos sistemas de proteção contra o frio, depois que o boom imobiliário avançou sobre suas casas nas áreas periféricas. A troca da área para a construção dos grande prédios implicou na melhoria da qualidade de vida da população mais pobre. Que é pouca, diga-se de passagem, e que só consegue sobreviver se tiver casa aquecida. O que não quer dizer que não existam os “homeless”.
Quanto à crise econômica e imobiliária, não se percebe por aqui. A cidade segue construindo prédios imensos, em sua maioria se aproximando da famosa Sears Tower, com seus 108 andares. Construção concluída em 1974, a Sears Tower tornou-se por alguns anos o prédio mais alto do mundo, até ser batido pelas torres gêmeas de Cingapura. Mas esta competição de prédios não se dá apenas pela altura. Há todo um aspecto arquitetônico em jogo. Chicago tem sido aclamada pela sua inocação arquitetônica, onde se destacam dois gigantes da arquitetura Louis Sullivan e Mies van der Rohe. A vocação da cidade para essa área deu lugar à criação da “Chicago School, Art Deco, International”, responsável por sua vez do que aqui é chamado de “tesouros da arquitetura”. Diante disto, não é sem razão que Chigado abriga também um museu daquele que é um dos maiores expoentes da arquitetura moderna, Frank Lloyd Wrigth. Mas um museu diferenciado. Trata-se de um parque de casas cosntruídas por ele no início do século XX e que estão preservadas em todas suas formas e condições. Chama-se Oak Park’s e Wrigth viveu ali de 1889 a 1909.
Mas, voltando à Chicago dos dias de hoje, não se percebe a crise. O poder aquisitivo deste grande centro industrial e financeiro é grande. E mesmo com frio intenso a cidade continua bombando. As ofertas de comida são as mais variadas do mundo. Por exemplo, que se dirigir para o número 661 da N. La Salle Street, encontra a seguinte inscrição: “all you can eat – Brazilian churrasco – Fogo de Chão. Quem quiser usufruir do espeto corrido da churrascaria que começou na Eduardo Prado em Porto Alegre paga a bagatela de 50 dólares por pessoa.
Renúncia de Fidel repercute – 19/02/08
A renúncia de Fidel Castro, como não poderia deixar de ser, está repercutindo aqui nos EUA. Os principais jornais já estamparam esta manhã em suas edições eletrônicas, a matéria com grande destaque. O presidente Bush, que está em Ruanda, logo se pronunciou, manifestando sua expectativa de uma transição que leve a eleições livres para a indicação do sucessor.
A propósito, quando se fala em eleições, os cubanos têm a pretensão de dizer que as suas são livres, pois cidadãos independentes, que não são filiados ao PC, podem participar. Podem, em termos. Podem aqueles que se dizem independentes, mas cuja candidatura passa pelo crivo da cúpula diretiva. Se quisessem mesmo eleições livres, deveriam permitir a legalização de outros partidos para concorrer livremente. Aliás, este será o desafio para os novos dirigentes cubanos, com vistas inclusive a levantar o bloqueio americano, que eles usam como desculpa para justificar suas dificuldades econômicas. Bloqueio esse que os EUA impuseram logo que Fidel tomou o poder e resolveu nacionalizar os bens americanos na ilha.
Segundo Fidel, foi esse bloqueio que jogou o regime cubano para os braços da então União Soviética. E essa ligação quase levou a uma guerra nuclear, em outubro de 1962, quando os soviéticos decidiram instalar mísseis nucleares em Cuba. Durante 13 dias o mundo ficou sob tensão, até que os soviéticos decidiram recuar, em troca de uma retirada similar americana da Turquia.
Mas Fidel sempre foi o grande símbolo de resistência aos EUA. Como todo seu potencial, os americanos tiveram que suportar, a 144 quilômetros de distância, um regime completamente contrário ao seu. Regime que eles esperam que agora tenha chegado ao fim.
Michigan sente a crise – 20/02/08
A renúncia de Fidel Castro, que ontem ocupou as páginas das edições eletrônicas dos jornais americanos, hoje ocupa as capas dos jornais impressos. A Tônica é a expectativa de que a transição cubana leve à democracia plena. Ou seja, que se esgote esse regime, que já dura quase 50 anos, sem que os EUA consigam desestruturá-lo.
Todavia, estou nos EUA para sentir se há mesmo crise econômica no país ou não. Já deu para sentir que há diferenças. Alguns estados sentem mais e outros menos, mas a crise está presente. Estou agora percorrendo pequenas comunidades do estado de Michigan. E o que ouço é que a economia está em baixa. Falo com um equivalente ao nosso “mestre de obras” e ele me diz que a situação na área da construção é terrível. O choque dos juros altos atingiu muita gente, que teve que devolver suas casas. Esses perderam dinheiro e proprietários que resgataram os imóveis não têm para quem os vender.
O forte do estado de Michigan é a indústria automobilística, localizada em Detroit. E esta também está em crise profunda. Dois aspectos a atingem diretamente: a entrada em massa de carros japoneses e coreanos no mercado americano, e o deslocamento de plantas americanas para o México, em busca de mão-de-obra mais barata. O resultado para Michigan é um acentuado desemprego.
A esperança para o estado fica por conta da área agrícola. O estado é grande plantador de soja e de milho. Produtos que tem uma natural boa aceitação no mercado. Só que o milho tende a valorizar-se mais, devido ao novo campo que se abre para ele com sua utilização para produção de etanol.
Ainda há racismo – 21/02/08
Nos últimos três dias percorri pequenas cidades do interior dos estados de Indiana e Michigan. Hoje me encontro neste último, num vilarejo de pouco mais de mil habitantes chamado Colon. O que todos estes lugares tem em comum é o frio. Ontem, por exemplo, fez um lindo dia de sol e a temperatura máxima não passou de 7 graus negativos. Á noite, a temperatura despencou para 19 abaixo de zero. É um frio de cortar, que a gente não está acostumado.
Nesta região de plantadores de soja e de milho, a maioria é adepta do Partido Republicano. Diferentemente da capital, Detroit, cidade densamente industrializada, e, por conseguinte, de maioria democrata. Pode-se dizer que Michigan reflete a situação de todo o país. A mais recente vitória de Barack Obama sobre Hilary Clinton, na primária de Wisconsin, trouxe mais ânimo para os republicanos daqui. Perguntados quem preferiam enfrentar, se Hilary ou Obama, a resposta é imediata: Obama. Por considerarem que, embora ele possa vencer de maneira mais fácil as prévias demcratas, terá maiores dificuldades do que Hilary na eleição geral. E a conclusão reflete algo que ainda é muito presente por aqui, o racismo. Entendem que a maior parte dos americanos até votaria numa mulher para presidente, mas não votaria em um negro.
Não se pode esquecer que esta é a visão conservadora do meio-oeste americano. E Obama tem um grande diferencial com relação à Hilary, que é a questão da guerra no Iraque. Hilary fica na mesma situação do candidato dos republicanos John McCain, ambos defendem a guerra. Obama, desde 2002 foi contra. E tem uma promessa que faz diferença em sua campanha: a data para a guerra terminar: janeiro de 2009, ou seja, quando ele assumir o poder.
Alto interesse no debate – 22/02/08
Escrevo hoje de Nova York, onde os meios de comunicação seguem fazendo a avalição sobre quem venceu o debate de ontem à noite na Universidade do Texas, em Austin, entre Hilary Clinton e Barak Obama . A constação que se tem é de que a disputa pela indicação democrata está ficando difícil para a senadora e ex-primeira dama. Depois de perder mais um debate e mais uma prévia em Wisconsin para o senador negro, Hilary ficou frente a um desafio: como atacar o seu oponente sem que, o que disser possa se voltar contra si própria. Ela não tem encontrado argumentos para derrubar seu opositor. As acusações que tem feito, de que ele é inexperiente e não saberia administrar em um momento de perigo, não encontram ressonância.
Assim é que o o resultado do debate de ontem e as primárias do dia 4 de março, no Texas, Rhode Island, Vermont e em Ohio, se apresentam como decisivas para as pretenções de Hilary. O que se diz por aqui é que, se ela perder mais estas primárias, pode se considerar fora da corrida. Daí a mobilização que passou a haver entre os condutores de sua campanha. Mark Penn, estrategista de sua campanha procurou, nos últimos dias, convencer Hilary a atacar fundo os seus contrastes com Obama. Argumentando que ela não tem outra alternativa.
Segundo o jornal “The New York Times”, Barack Obama tem se mostrado um candidato preparado. Sua mensagem tem sido clara, o que faz com que cada ataque de sua oponente se dilua ou se transforme num tiro que retorna. O problema dos democratas é que eles não podem se autodestruir na campanha. Sabe-se que tudo que um candidato do partido jogar sobre o outro será usado pelo candidato republicano na fase de enfrentamento final. Assim, eles atuam dentro de limites muito estreitos. Limites que Mark Penn quer que Hilary rompa. “Afinal, diz ele, campanha é campanha”. Ou seja, o negócio é vencer a prévia. Depois é outra história. Por isto ela foi mais agressiva no debate de ontem.
De sua parte, John McCain fica de “sangue doce”. Mas em termos. Porque ele precisa convencer os republicanos radicais de que ele é o candidato ideal do partido. Por ter muitas vezes votado com os democratas no Congresso, McCain não é aceito pelos ortodoxos do partido. Além disto, ele trás o peso de ser o candidato do presidente George Bush, um dirigente cuja aprovação não passa dos 30%. E tem mais ainda. Se Obama for o indicado pelos democratas, será um candidato com muitas possibilidades de fazer votos também entre republicanos. E como se não bastasse tudo isto, ainda resgataram um caso que McCain, hoje com 71 anos, teria tido oito anos atrás, com uma assessora de campanha, Vicky Iseman, hoje com 40 anos. O fato teria se dado na campanha de 2000, quando McCain perdeu a indicação para Bush. Vicky está novamente na assessoria do senador, o que demandou uma mobilização grande para afastar um do outro.
Enfim, este é o quadro que vai se dezenhando por enquanto. Se não houver a desistência de nenhum dos dois candidatos, a disputa democrata vai até agosto. E só depois disto que se terá o confronto entre os representantes dos dois grandes partidos. Até lá as águas do rio Chicago terão descongelado e irão passar por sobre muitas pontes.
Nova York, uma cidade preprada – 23/02/08
A estada em Nova York me permitiu acompanhar a tempestade de neve que ontem desabou sobre a cidade e toda toda a região, que se estende para o norte até Boston e para o sul até Washington. Só no aeroporto John F. Kennedy, o principal de NY, centenas de vôos foram cancelados e os atrasados superaram as quatro horas. Para os turistas que estão aqui, procedentes das mais diversas partes do mundo, trata-se de um espetáculo maravilhoso. Caminhar e brincar na neve. Para os moradores é um grande transtorno. A neve se acumula por todas as partes.
Para a administração da cidade um desafio. Em poucas horas acumulou-se uma camada de quase meio metro de neve. Embora o acúmulo e todos os entraves e perigos decorrentes, a cidade não pode parar. E não parou. O prefeito Michael Bloomberg foi para a televisão e anunciou as medidas que estava tomando, para que o trânsito funcionasse e para que as pessoas menos favorecidas fossem assistidas. Medidas, que estavam sendo tomadas de imediato, pois a previsão era de chegada, depois da neve, de uma chuva fria. O que de fato aconteceu. E a chuva fria e fina misturada com a neve, gera o que chamam de ice mix, uma mistura extremamente perigosa, pois tudo fica escorregadio.
Assim, antes que a chuva chegasse, a neve já estava praticamente retirada das ruas e estradas. Tratores e caminhões com aquela grande pá horizontal na frente fizeram o rápido serviço de desobstrução. O corpo de bombeiros e o serviço ambiental da cidade fizeram uma intensa mobilização. Desempregados aproveitaram para ganhar algum dinheiro trabalhando na retirada da neve.
Hoje, a cidade amanheceu sem parecer que sofreu no dia anterior uma tempestade de neve. A não ser alguns acúmulos normais na sarjeta. De resto, tudo funcionando, como se requer de uma boa administração. E este é um diferencial deste país com relação a nós outros do terceiro mundo.
Etanol ganha mercado – 25/02/08
As eleições continuam sendo o grande assunto da imprensa americana, especialmente a prévia democrata, O debate travado na quinta-feira, no Texas, entre Hilary e Obama, continua rendendo matérias amplas de análise sobre as posições de um e de outro. Mas, chamou-me particulamente a atenção que, em meio ao debate ou ao Oscar, a CNN abriu um longo espaço de sua programação, no sábado à noite, portante em horário nobríssimo, para abordar uma questão que vai ganhando força por aqui: o etanol. E o tema é dito como o único que consegue unir democratas e republicanos. Aliás, a CNN ouviu as mais expressivas figuras do país, começando pelo presidente Bush, passando por Hilary, Obama e McCain, congressistas, líderes empresariais e sindicais, indo até astros do basquete, todos se manifestaram favoráveis ao etanol.
As montadoras americanas já estão produzindo o que chamamos de carro flex. E uma das questões que está sendo enfocada na propaganda desses carros é a dependência americana do petróleo. Não só pelo fato de terem que importar o produto, mas ele ter que vir, em sua maior parte, de uma região eternamente em guerra. Quando não, de países com dirigentes problemáticos e com problemas com os Estados Unidos, como a Venezuela de Hugo Chávez.
Assim é que o etanol vai abrindo caminho. Não se pode esquecer que Bush e Lula firmaram um acordo há pouco tempo para emploração conjunta do produto, procurando vendê-lo no mercado internacional. E a vantagem que está surgindo para o Brasil é a produção a partir da cana de açúcar, que não polui. No caso do milho, como é produzido pelos americanos, está havendo problemas com fertilizantes que estão sendo usados e que estão poluindo rios. Um problema que, no entanto, já está sendo solucionado. O certo é que o etanol já não mais um produto de uso exclusivo de carros brasileiros.
Uma experiência em família – 26/02/08
Concluo hoje esta série de observações feitas diretamente de terras norte-americanas. Este período por aqui, embora por cerca de apenas 10 dias, me proporcionou muitos esclarecimentos. Especialmente, porque passei não só por grandes centros, como Nova York, Chicago e Detroit, mas até por pequenas comunidades do interior, onde tive o privilégio, inclusive, de passar três dias em uma casa de família. Uma experiência altamente gratificante.
Deu para confirmar que esta é uma terra de oportunidades. Quem estiver a fim de trabalhar encontra o que fazer. E o principal, o que ganha lhe dá direito a viver com dignidade. Por exemplo, conheci um casal cuja mulher trabalha em casa, no computador, atendendo a burocracia de uma organização médica. E o marido trabalha à noite, na empresa que cuida das estradas. O trabalho dele é tirar a neve da estrada e ajudar na manutenção dos caminhões. Pois este casal mora em um bela e confortável casa, com calefação – como a quase totalidade por lá – com dois televisores LCD, dois amplos refrigeradores e tudo o mais que o conforto exige. Especialmente, numa região fria como a situada próxima dos grandes lagos.
Por todo o país, um acompanhamento intenso da campanha eleitoral, especialmente, do debate entre os candidatos democratas. E muita preocupação com o tempo, cujo espaço é um show na televisão ou no rádio. Afinal, as condições climáticas influem decisivamente na produção. No inverno tudo é gelado, no verão tem pouca chuva. Por isto, por toda a região de plantação do meio-oeste, por onde se passa, se vê sistema de irrigação. Ou seja, não se faz como no nosso Rio Grande do Sul, por exemplo, onde se fica esperando por São Pedro, para que ele ofereça as condições climáticas adequadas para plantação vingar.