Enquanto na Venezuela o presidente Hugo Chávez está conseguindo levar adiante o seu projeto autoritário, sem maiores problemas, o seguidor dele, Evo Morales, está enfrentando grandes problemas na Bolívia. Além do projeto de reforma agrária, dois outros temas contribuem para a tensão política na Bolívia: a Assembléia Constituinte, através da qual Morales pretende governar ao estilo de seu tutor Hugo Chávez; e o projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso, dando poder ao chefe do Executivo para destituir os governadores. Em função deste último tema, seis dos nove governadores já romperam com Morales.
Ontem, quebrou o pau no Parlamento entre representantes do goverrno e da oposição. Isto porque, os situacionistas querem destituir quatro juízes do Tribunal Constitucional, ou seja do organismo que foi constituido para reformar a constituição do país. E porque que os governistas querem a saída dos quatro? Simplesmente, porque esses não estavam dispostos a aprovar as medidas autoritárias de Morales. Como disse o ex-presidente Jorge Quiroga, o governo tenta linchar o TC para impor um regime autoritário.
Menos mal para a Bolívia que a oposição está agindo e não fez como na Venezuela, onde boicotou as eleições e deixou Chávez com o caminho livre para seu projeto autoritário. E a própria população age. Seis províncias do país já decidiram por uma paralisação geral de 24 horas para protestar contra o plano de Morales. Ou seja, os bolivianos estão de olho com o que acontece na Venezuela, para que não se repita em seu país.