O presidente do Egito Hosni Mubarak frustrou as expectativas com o seu discurso da noite desta quinta-feira. Quase todos esperavam que ele fosse anunciar a sua renúncia. O clima de festa para tal já havia se estabelecido. No entanto, ele simplesmente disse que vai continuar até a realização das eleições, em setembro. Neste ponto foi coerente com o que vem afirmando desde que eclodiram as manifestações contra ele, a 25 de janeiro. O máximo de concessão que Mubarak fez foi transferir alguns poderes para o seu vice Omar Suleiman.
Não vai ser fácil para ele permanecer. Estabeleceu uma queda de braço forte com a oposição, que quer a sua saída imediata. EUA e potências ocidentais tem se manifestado pedindo uma transição com ordem e segurança. Todos temem a desestabilização do Egito. Principalmente Israel. Ao longo de sua história como Estado independente, Israel travou quatro guerras com o mundo árabe. Todas elas foram lideradas pelo Egito, que sempre entrou com o maior contingente. Em 1979, sob a mediação dos EUA, Israel firmou um acordo de paz com o Egito. Nunca mais teve que enfrentar guerra com o mundo árabe. Houve só os confrontos isolados com o Hamas, em Gaza, e com o Hizbollah, no Líbano. Daí o temor de que o Egito caia nos braços dos muçulmanos radicais, ao estilo do que aconteceu no Irã.
Por isto, na mesma medida em que EUA e seus aliados querem ver a saída de Mubarak, para acalmar os ânimos, querem também ter a certeza de que assuma um governo que lhes seja favorável.