Apesar de tudo o que está acontecendo no Japão, preciso hoje falar sobre o Irã. Por dois motivos: um, pelo pronunciamento sobre o país feito pelo secretário geral da ONU. E outro, pela visita que faz ao Brasil o chefe de Imprensa do governo iraniano. O secretário Ban Ki-moon declarou que o Irã tem intensificado a repressão contra os opositores, bem como as execuções de traficantes de drogas, presos políticos e criminosos juvenis. O secretário-geral das Nações Unidas também expressou preocupação com os açoitamentos, amputações e condenações à morte por apedrejamento de supostos adúlteros – homens e mulheres. Em um relatório de 18 páginas, Ban pede ao Irã que autorize a entrada no país de investigadores de direitos humanos da ONU, os quais desde 2005 não conseguem chegar a Teerã.
Ao mesmo tempo em que sai esta denúncia contundente, chega ao Brasil para instalar um escritório da agência iraniana de notícias Irna, o chefe de Imprensa do governo e um dos principais assessores da presidência, Ali Akbar Javanfekr. Ele concedeu uma entrevista à Folha de S. Paulo, publicada na sua edição desta segunda-feira, onde diz que a presidente Dilma está mal informada a respeito do caso Sakineh. Ou seja, da mulher que foi condenada à morte por apedrejamento, pelo fato de ter traído o marido. Disse ele que no Brasil há 2500 Sakinehs nas prisões. Sem entrar no mérito da condenação por adultério, que aqui no Brasil praticamente não existe, mas, simplesmente considerando as mulheres que estão presas por qualquer outro delito, a diferença com relação ao Irã é que aqui nenhuma delas será executada, muito menos a pedradas. E outra pérola do cidadão foi sua resposta ao ser questionado se era verdade, como diz o presidente Ahmadinejad, de que no Irã não existe gays, ele confirmou que não. “Na República Islâmica do Irã não há gays”, disse ele. Como replicou o repórter da Folha, deve ser o único país do mundo em que não há gays.