– j.soares@cpovo.net –
O Irã afirma ter derrubado um avião não tripulado dos Estados Unidos, que estaria realizando espionagem em seu espaço aéreo. A Casa Branca primeiro desconversou, mas depois acabou admitindo a possibilidade. Nesta quinta-feira a TV estatal iraniana exibiu imagens do que seria o avião interceptado. Neste caso, se trataria de um equipamento tipo RQ 170. O fato é que os Estados Unidos estão usando cada vez mais este tipo de aeronave, que apresenta uma série de avanços. Em primeiro lugar, dispensa o piloto, o que significa que não há uma vida a ser preservada ou resgatada, como acontece com avião tripulado quando é abatido. Outro avanço: este pequeno aparelho pode ser operado da sede da CIA, em Washington, para a execução de um inimigo no Iêmen, como foi feito recentemente com um líder da Al Qaeda, que treinava terroristas da organização naquele país. Os Estados Unidos tem usado muitos desses aviões no Iraque, Afeganistão e Paquistão, onde têm sido objeto de muitos ataques a inimigos, mas também de muitos erros estratégicos. O uso básico do aparelho é para matar suspeitos de terrorismo. Segundo o centro de estudos New America Foundation, de 2004 até 15 de novembro último, foram realizadas 70 incursões, que teriam deixado 2.680 mortos, 17% dos quais, civis.
O avião não tripulado mais usado pelos EUA é chamado de drone, “zangão”, mede cinco metros e meio de comprimento, sendo que as asas têm cerca de quatro metros. É, portanto, um aparelho pequeno, mas que pode fazer um grande estrago, em função do explosivo que pode portar. Este é um tamanho, mas existem vários outros modelos e tamanhos. Um rápido acesso ao Google permite vislumbrar mais de 100 modelos. Israel, por exemplo, apresentou em fevereiro de 2010, uma frota de aviões não tripulados que, segundo as autoridades, poderiam voar até o Golfo Pérsico – o que colocaria o Irã dentro do seu raio de alcance. O Heron TP tem 26 metros de extensão entre uma asa e outra – o mesmo tamanho de um Boeing 737 – e pode voar a mais de 12 mil metros de altitude, por mais de 20 horas consecutivas. E justamente EUA e Israel são os países que mais têm usado esses aviões para fins militares. É preciso destacar que modelos menores são produzidos, inclusive aqui no Brasil, como o Apoena, para, por exemplo, controle de fronteira, da floresta amazônica ou para supervisionar área agrícola. Por aqui, se produz aparelhos de até um metro de comprimento.
Porém, o grande destaque em termos de produção de veículos não tripulados no Brasil está em Porto Alegre, na avenida Sertório. É a AEL Sistemas, que produz desde o Skylark I LE, um avião de cerca de um metro de comprimento, até o Hermes, em três versões, 90, 450 e 900, sendo que este último tem uma autonomia de 40 horas e pode conduzir 300 quilos de carga. Mas a empresa vai mais longe. Tem ainda dois veículos não tripulados de superfície. O Stingray e o Silver Marlin, da Elbit Systems Ltd., usados para vigilância e controle de zonas costeiras.
O detalhe curioso, segundo um engenheiro que trabalha num desses projetos, é que, com o avanço da nanotecnologia, no futuro poderemos ter aparelhos do tamanho de um besouro para realizar atividades de espionagem e, evidentemente, eliminar inimigos. E outro detalhe, até agora, pelo que consta, não há uma regulamentação específica para o tráfego desses aparelhos.