A Grécia passou a semana tentando formar uma coalizão de governo, sem conseguir. Esbarrou nas diferenças entre os partidos que apoiam o plano europeu de austeridade e os que são contra. Os a favor não conseguiram a maioria. A única alternativa ficou na união com um partido que é contra, desde que este fizesse “vistas grossas” para a sua posição. Logicamente, uma incoerência impraticável. Na França, François Hollande assume a presidência nesta terça-feira e no dia seguinte já estará na Alemanha, para discutir com Angela Merkel uma alternativa ao plano de austeridade. Vai reforçado pelo que passa a ser consenso entre os dirigentes europeus, ou seja, que o plano de austeridade já mostrou sua fadiga. Tanto que já marcaram uma reunião de cúpula para junho, com a finalidade de discutir uma alternativa. Eles estão ouvindo as vozes das urnas na França, na Grécia e até na Itália, onde nas eleições regionais cresceu o recém surgido Partido Cinco Estrelas, que prega a saída do país da zona do euro. Aliás, quando estive na Itália, recentemente, o que mais ouvi foram queixas com relação à moeda europeia, que teria provocado um extraordinário aumento no custo de vida no país.
A Grécia divide com a Espanha o apavorante índice de 52% de desemprego entre os jovens na faixa dos 18 aos 24 anos. Daí não ser novidade as manifestações pela saída do país da zona do euro. Até há pouco, a saída de um dos integrantes do grupo que pratica a moeda única seria visto como um fracasso da União Europeia. Agora, no entanto, o próprio ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schoble, disse que a zona do euro suportaria sem grandes problemas a saída da Grécia, uma vez que o sistema é muito mais resistente hoje do que há dois anos, quando explodiu a crise das dívidas. O fato é que o aperto fiscal não melhorou o desempenho dos países endividados. Pelo contrário, só piorou. Austeridade tem gerado mais austeridade. O FMI prevê que este ano Portugal, Espanha, Itália e Irlanda terão crescimento negativo. Por incrível que pareça, o organismo aponta para uma melhora na Grécia, mas a mesma se dará exclusivamente pela reestruturação da dívida. O que será momentâneo e sem sustentação. O abandono do euro, com a subsequente adoção de uma moeda própria, que pode ser desvalorizada, poderia ser a solução mais eficiente, a médio prazo, para a Grécia. Mas isto, hoje, está só no terreno das cogitações. A esperança maior está na adoção de novas medidas pela União europeia.
O contraponto que se estabelece hoje na Europa está nas posições de Angela Merkel, ferrenha defensora do plano de austeridade, e François Hollande, declarado defensor do investimento para a geração de emprego. Merkel defende as “reformas estruturais”, que nada mais são do que medidas para reduzir a proteção ao trabalhador, redução de salários, de proventos de aposentadoria e de empregos. Isto, já está comprovado, só piora a situação. Assim é que Hollande tem a seu favor, pelo menos, a situação presente, para dizer que esta não serve. Ele tem o caminho: investimentos para a geração de empregos. O problema é como encontrar este caminho. Mas ele, seguramente, passa pelo Banco Central Europeu, que precisará exercer o papel de indutor do crescimento. É o tema que estará na roda na cúpula de junho. Será a oportunidade de cobrir os vazamentos que estão fazendo o euro naufragar.